O nosso “Boinas” continua ausente com a sua habitual e bem-humorada crónica. Luís Filipe Borges foi a Bali, Indonésia, onde conheceu uma massagista por quem se apaixonou loucamente. Enquanto não regressa dessas suas aventuras, assumo eu a condução deste espaço, ao volante de um Mercedes-Benz E250 CDI Cabrio.

Depois de uma primeira experiência, este texto poderia marcar o regresso de Luís Filipe Borges, mas ao sair da sua viagem de Bali foi preso pela polícia indonésia por posse de materiais ilícitos. Nem foi a droga que chocou as autoridades, mas sim os vestidos de lantejoulas, que não assentavam bem com a cor dos seus olhos.

“Vou regressar ao sabor do vento”, disse-me. Pensei que fosse uma força de expressão, mas parece que o mandaram de volta numa jangada. Ao sabor do vento, estive eu num Mercedes E250 CDI Cabrio. Provavelmente um dos modelos mais elegantes do mercado e que não passa despercebido nas ruas. No exterior, as curvas chamam a atenção, no interior uma consola central de última geração, mas com um pormenor. O relógio parece tirado do pulso e colado ali. Não é feio, até pelo contrário, dá-lhe um toque do que era a Mercedes no início da sua história. 

Andar de descapotável é um dos raros prazeres da vida para o comum dos mortais. Esta terá sido a minha segunda, ou terceira vez, se tanto. Só há duas maneiras de sentir o vento na cabeça. Se tiver dinheiro para um cabriolet, que garanta a mínima satisfação... ou se for careca. Ser careca é andar de descapotável todo o ano, com a hipótese de recolher a capota, metendo um capachinho. Mas, tal como num cabriolet, toda a gente vai perceber que aquilo era suposto andar destapado.

Como não sei quando irão ter a possibilidade de o fazer, resolvi partilhar essa experiência com as minhas filhas de 2 e 4 anos. Só a imagem de ver a cara delas ao abrir a capota e de passearem cheias de estilos iria fazer de mim o melhor pai do mundo. Mas nem sempre as coisas correm como pensamos. Aliás, quando se tem filhos, raramente as coisas correm como pensamos. A parte do abrir a capota foi, deveras, impressionante... por segundos. “Pai, porque é que a nossa casa não abre o telhado?” Pergunta a mais velha, não com ar de curiosidade, mas quase de indignação. Que raios! Parece óbvio que a Mercedes tem um mercado de tecnologia imobiliária para explorar.

Mas, como qualquer mulher (e perdoem-me as mulheres que não são assim) há que colocar defeitos em tudo. A viagem correu bem... Um quilómetro. Depois era o vento que não deixava o cabelo sossegado, o som que estava muito alto, o frio que podia fazer... Mais logo! Nem era agora!

E, de repente... Silêncio. Olho para trás e estão as duas de mãos na cabeça e olhos esbugalhados. “O que foi?”, perguntei. “Temos de ter as mãos na cabeça, porque um pássaro pode fazer-nos cócó em cima”. E foi assim que fechei a capota e as meti fora do cabrio. Mulheres... Não sabem apreciar nada.

 

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