Ainda impossibilitado de enviar a sua crónica, o nosso colaborador Luís Filipe Borges “chutou” a bola para o seu amigo e também humorista António Raminhos que se agarrou com unhas e dentes a um Jeep (o Renegade 4x2), que parece um jipe, e que dá para brincar como um jipe, mas não é um jipe.

Há pessoas que conhecemos pelos dentes. E se não as conhecemos pelos dentes, pelo menos tiramos de lá uma primeira impressão. Com os veículos é igual. A grelha compõe os “dentes” de um carro. E, nesse campo, não há “dentição” como a da Jeep. Toda a gente conhece aquelas barras, que agora aparecem renovadas no Jeep Renegade. Um SUV 4x2, uma espécie de utilitário desportivo com pormenores offroad como bússola, um design “rústico” e até barras no interior para os passageiros se segurarem nos trilhos. Há também um pormenor curioso. Cerca de 25 pequenos detalhes espalhados pelo carro, que podem ser descobertos pelo utilizador, desde uma imagem do que parece ser o Big Foot, até ao mapa de um trilho. É jipe sem o ser e que leva a conversas estranhas com amigos como:

Raminhos: Tenho um jipe...

Amigo: Ah! É um jipe da quê?

Raminhos: Um jipe da Jeep.

Amigo: Mas é um Jeep?

Raminhos: É um Jeep, mas não é bem jipe... Porque não tem tracção às quatro.

Amigo: Então não é um jipe...

Raminhos: Não. Sim é um Jeep que não é bem jipe, mas se te perguntarem é claro que é um Jeep. Podes assim ter um Jeep, que parece um jipe, e que dá para brincar como um jipe, mas não é um jipe. Não queres um jipe?

Amigo: Tenho mota.

Mas é realmente a grelha imponente que define os Jeep, são os seus dentes. O mais curioso é que a maior parte de nós, mais depressa diz a um amigo que tem um mosquito morto na grelha do carro do que: “ tens uma coisa nos dentes”. O pior é se esse amigo tivesse os dentes cheios de mosquitos mortos, o que tornaria a coisa ainda mais estranha!

Quantos de nós, estamos a falar com alguém, quando reparamos que tem algo nos dentes? E, a partir desse momento, tudo se torna completamente acessório. Essa pessoa pode estar a dizer que faz parte do Estado Islâmico e que vai fazer-se explodir em Lisboa que o nosso único pensamento é: “atentado é esse pedaço de alface que tens no dente!” E uma pessoa anda assim quase 24 horas. Sorrindo para o mundo com alegria só para chegar a casa, perceber o que se passou e entrar em profunda depressão.

Até se pode fazer o seguinte exercício. O caro leitor imagine que está num bar, sentado ao balcão bebendo um whiskey. Olha para o lado e, na sua direcção, vem uma loura de vestido justo, seios voluptuosos, ancas na medida certa e com ar claro de quer passar a noite consigo (e sem pagar).

Ela senta-se ao seu lado, com um decote majestoso, e de repente ela sorri e tem uma bela folhinha de salsa nos dentes. Todo o encanto desaparece! É certo! Mais depressa lhe diria algo se tivesse uma folhinha de salsa no meio do peito! Até iria soar a meio provocador. Sai muito melhor um “não fui capaz de deixar de reparar que... tens algo aqui no peito, posso tirar?”. Quando é na boca, por muito que se tente poetizar o momento, não sai melhor do que isto:

- Sabes, a tua boca é um jardim. Pelo menos o teu canino parece um relvado.

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