A chegada do novo Suzuki Swift ao mercado motivou um combate cordial com o que de mais recente a indústria automóvel japonesa tem para mostrar neste segmento: o renascido Nissan Micra, que mistura tecnologia europeia com as raízes nipónicas, e o sempre exemplar Honda Jazz. Todos equipados com motores a gasolina de baixa cilindrada e potências entre os 90 e os 102 cv.

O segmento dos utilitários recebeu uma nova proposta: o novo Suzuki Swift, um modelo de tradição dentro da marca japonesa e que pretende alavancar as vendas do fabricante no nosso país. Com base numa nova plataforma, que dá vida a outros modelos da marca, o Swift mantém o aspeto irreverente, desportivo e traz, nesta primeira fase, um motor 1.2 de 90 cv que no caso desta unidade pode estar acoplado a um sistema micro-híbrido SHVS que permite reduzir consumos e emissões. Neste primeiro desafio, o Swift 1.2 GLX SHVS, enfrenta dois outros utilitários japoneses, numa batalha por um lugar ao sol para conquistar um mercado onde os europeus estão em grande força e em grande forma: o novo Nissan Micra com motor 0,9 IG-T de 90 cv e o Honda Jazz 1.3 i-VTEC de 102 cv. O primeiro veste o seu traje mais jovem e desportivo, Tekna, enquanto o segundo se apresenta na versão de topo, Elegance + Connect Navi.

Formosos e seguros

Dotados os três de acabamentos medianos, mas montagem de bom nível, Honda e Nissan equivalem-se, também, no domínio da construção e da perceção de qualidade, já que os forros de alguns painéis no tablier são macios e com toque de pele. O Swift fica uns “furos” atrás destes dois na qualidade dos revestimentos empregues. No Suzuki não há um único material macio no tablier ou painéis das portas, relegando-o para a terceira posição.

Equipados de série com os habituais seis airbags, fixações Isofix, pré-tensores nos cintos dianteiros, airbag do passageiro passível de ser desativado, ABS com EBD+BAS e controlo de estabilidade, estes três utilitários estão, à partida, bem posicionados no que se refere à segurança. Contudo, os três trazem ainda mais argumentos. O primeiro lugar nesta área é ocupado pelo Micra que, para além de tudo o que mencionámos em cima, traz o Safety Shield, uma câmara que consegue ser, ao mesmo tempo, avisador de ângulo morto, cruise control adaptativo, avisador de saída de faixa, detetor de obstáculos móveis na traseira do veículo e leitor de sinais de trânsito. Tudo de série. O Swift traz cruise control adaptativo, avisador de saída de faixa, travagem ativa em cidade e câmara traseira, enquanto o Honda Jazz traz a câmara traseira, o leitor de sinais de trânsito, o alerta de transposição de faixa de rodagem, travagem ativa em cidade e os habituais sensores de estacionamento traseiros e dianteiros. Portanto estes três utilitários, já parecem pertencer a um segmento superior, tal é a panóplia de elementos que oferecem de série.

Bem equipados

Abordar a questão do conforto nos utilitários é sempre uma tarefa algo ingrata, devido, essencialmente, à simplicidade da sua mecânica e ao facto de estarem desprovidos de grandes pretensões familiares. De qualquer forma, os mais convincentes nesta matéria são o Honda e o Nissan (mesmo com as jantes de 17”). São eles que conseguem filtrar de forma suave as irregularidades da estrada, acabando por proporcionar menores oscilações incómodas e menores vibrações nos comandos principais, comparativamente ao Suzuki, que sai penalizado pelo facto de dispor de um eixo traseiro mais seco. Na análise ao habitáculo e mala também não existem dúvidas: o mais categórico continua a ser o... Jazz. Não pelo design, sendo neste aspeto menos apelativo quanto Nissan e Suzuki, mas por ser o que oferece a maior habitabilidade do trio, a melhor arrumação, a mala com maior capacidade (354 litros contra 265 litros do Suzuki e 300 litros do Micra) e os bancos traseiros mais funcionais, já que gozam do famoso sistema “bancos mágicos” da Honda, que permite rebater as costas ou o assento do banco traseiro, aumentando drasticamente a versatilidade a bordo.

Em segundo lugar surge o Swift que, ainda assim, perde em todos os aspetos para o Honda. Em último lugar fica o Micra, dono da habitabilidade mais limitada, e de uma bagageira maior do que a do Suzuki, mas com uma diferença de “apenas” 35 litros, que se esbate por completo na utilização diária.

E o que dizer da lista de equipamento? Bem, neste particular, estas três versões de cada modelo surgem extremamente bem equipadas, e não descuram sistema de navegação, arranque e abertura de portas sem chave, ar condicionado automático, computador de bordo, entrada USB e AUX, indicador de pressão de pneus, entre tantos outros. 

Em qualquer destes três utilitários, o condutor dispõe de vários ajustes do banco e do volante. Seja como for, o posto de condução mais confortável e versátil é o do Nissan, sendo neste utilitário que vamos melhor sentados graças à boa conjugação entre a colocação do volante, do banco, dos pedais e do punho da alavanca da caixa. O Swift também tem uma posição de condução muito confortável e tão “desportiva” como a do Micra, mas a diferença neste aspeto vai para os bancos do Nissan, mais envolventes que os do Suzuki. O Jazz tem a posição de condução mais elevada, por culpa do estilo “monovolume” e a que oferece a sensação menos “desportiva”.

Equipados com direção assistida elétrica, pesando entre 850 e 1000 kg e fazendo uso de carroçarias que se ficam pelos menos quatro metros de comprimento, as prioridades em termos de desempenho dinâmico destes utilitários vão para a facilidade de condução, especialmente em ambiente urbano. Neste aspeto, todos cumprem de forma competente o seu papel: estacioná-los é muito fácil (até porque todos têm câmara traseira e a do Micra é de 360º) e serpentear no meio do trânsito também.

Contudo, os utilitários também podem (e devem...) proporcionar prazer de condução, mesmo estando equipados com motores a gasolina de baixa cilindrada. Aquele que dá mais gozo em andamentos vivos é mesmo o Micra, que é mais ágil e mais reativo. O facto de dispor de pneus mais largos e de ter uma direção um pouco mais comunicativa contribui sobremaneira para este resultado. O Swift também transmite reações muito sãs e previsíveis, mas não atinge o patamar do Nissan, até porque os pneus Bridgestone Ecopia não ajudam. O Honda tem as reações menos “desportivas”, mas é de uma neutralidade atroz. É o mais suave dos três, o menos ruidoso e o que tem a melhor caixa de velocidades, a única com seis relações.

Poupadinhos

Embora disponham de motores a gasolina com potências entre os 90 e os 102 cv, só o do Micra está equipado com turbocompressor. Todavia, e analisando as performances, rapidamente concluímos que o melhor é o... Suzuki, que ganha nas acelerações. Curiosamente, nas recuperações acaba por ser o mais lento. Um pouco mais atrás, vêm o Micra e o Jazz. Neste último, a caixa longa prefere um andamento mais “pachorrento”, voltado para o transporte da família. No que aos consumos diz respeito, estamos perante três utilitários poupados. Honda, Nissan e Suzuki situam-se ao mesmo nível, ainda assim o Swift é o mais económico, até porque conta com a ajuda do sistema micro-híbrido.

Num comparativo renhido, o Micra sai vencedor por causa do preço resultante de uma campanha que faz bom desconto em caso de compra direta, mas também pelo refinamento da condução. O Swift também tem muitas vantagens, mas perde pelo espaço e pela pior travagem. O Jazz aposta tudo no espaço e equipamento, mas não consegue ter um preço tão competitivo.

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