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Comparativo: Toyota Verso | Opel Zafira | Peugeot 5008

Se tem muitos vizinhos que trabalham perto de si a opção por um destes monovolumes com sete lugares classe 1 pode ser a forma de financiar o gasóleo dos passeios familiares ao fim de semana. O Toyota Verso 2.0 D4-D é a proposta mais recente, o Zafira Tourer 2.0 CDTI 165 cv o mais potente e o Peugeot 5008 1.6 HDI 115 cv a escolha do mercado. Qual o mais completo?

Que sentido faz comparar carros com potências tão díspares? Faz todo o sentido, sobretudo quando possuem as mesmas aptidões (são todo monovolumes médios de 7 lugares) com preços a rondar os 30 000 euros.

Com 33 020 euros o preço base do Zafira é o mais caro, ao que se devem ainda acrescentar 430€ da pintura metalizada, 850 € do rádio CD NAVI 600 com navegação e 130€ dos espelhos elétricos, perfazendo um total de 34 430€. Parte deste valor é justificado pelo Zafira só ser comercializado no nível de equipamento Cosmo, já com para-brisas panorâmico, tejadilho em vidro e o sistema Lounge Seating que permite transformar o interior num salão de quatro lugares. Por outro lado, na entrega de um veículo com mais de oito anos o cliente pode beneficiar de um desconto de 2000€ podendo somar ainda mais 500€ de desconto se adquirir o Zafira através de um financiamento Opel. Ou seja, no melhor cenário o Zafira retratado nestas páginas custa 31 930€.

Também com um motor dois litros, mas menos 39 cv de potência, o Toyota Verso 2.0 D4-D Active custa 30 537€ (Comfort 31 500€ e Exclusive 34 500€) e vem com a oferta de três anos de manutenção gratuita ou 45 000 km (o Verso faz revisões anuais de 15 000 em 15 000 km contra os dois em dois anos ou 30 000 km do Opel e Peugeot). Este é um preço muito competitivo para um motor dois litros, sendo, por exemplo, bastante inferior ao do Renault Scénic 1.6 dCi 130 cv e equivalente aos 30 711€ do Peugeot 5008 1.6 HDI 115 cv Style com pintura metalizada. Acontece que a Peugeot tem em vigor uma promoção que oferece um desconto de 3000€, o que coloca o PVP da unidade ensaiada em 27 731€.   

Habitáculo para sete

Para além da potência superior, basta entrar no Zafira vindo de um dos outros dois para perceber a justificação do preço mais elevado. Não só o equipamento é superior como a qualidade da montagem e dos materiais está acima do que os seus rivais apresentam. Depois, para selar definitivamente a sua superioridade o Zafira apresenta o interior mais modulável, com um inteligente sistema que permite configurar o habitáculo em quatro confortáveis e muito espaçosos lugares; os bancos da segunda fila recuam e chegam-se ao centro do habitáculo, permitindo atingir uma cota de espaço para pernas de 865 mm. Somando isto ao para-brisas panorâmico e ao tejadilho em vidro (ambos de série em todos os Zafira vendidos em Portugal) o Opel consegue criar um ambiente a bordo composto por uma luminosidade e amplitude de horizonte impossível de replicar seja no Peugeot seja no Toyota.

Entre estes a vantagem de espaço (é o que tem a cota total de comprimento do habitáculo mais generosa, embora o espaço para pernas na 3ª fila seja inferior ao do Zafira), modularidade e posição e condução vai para o 5008, com destaque para o envolvente tablier e a para a forma como os bancos da segunda fila dobram para o acesso aos lugares da terceira fila. Pela negativa, é do Peugeot a montagem menos cuidada e suscetível de gerar maiores ruídos parasitas, aspetos em que é inferior aos seus dois rivais.

O Verso é o mais limitado nas soluções de modularidade. Provavelmente, a Toyota estudou o segmento e chegou à conclusão que as soluções básicas (rebatimento individual, fundo plano e regulação longitudinal dos bancos da segunda fila…) são suficientes para a esmagadora maioria dos clientes, pelo que na análise custo/benefício optou pela solução mais simples e... barata. Em contrapartida, vale a pena referir que é do Verso a solução de arrumação da chapeleira mais fácil e imediata.

Opel anda mais mas…

Com 165 cv de potência, contra os 126 cv do Toyota e os 112 cv do Peugeot é normal que o Opel Zafira Tourer seja o mais rápido dos três. O que já não é tão normal é que a vantagem no cronómetro seja inferior a um segundo para o Verso e não chegue a 2 relativamente ao 5008 com um motor de apenas 1.6 litros de capacidade; tanto o Opel como o Toyota são dois litros. E na prática é necessário chegar à autoestrada para se sentir que os cavalos a mais produzem outro andamento, sobretudo quando se quer ganhar velocidade a subir e com os sete lugares ocupados. A razão está no peso, pois o Zafira Tourer pesa 1660 kg contra os 1540 kg do Verso e os 1430 kg do Peugeot, o que resulta nas respetivas relações peso/potência de 10,1 kg/cv, 12,2 kg/cv e 12,4 kg/cv. A diferença na relação peso/binário é ainda menor e à superior leveza o 5008 junta mais dois trunfos: o motor com melhor resposta abaixo das 2000 rpm e o escalonamento de caixa mais curto e aproximado. Na prática, nas voltas da cidade o 5008 parece sempre o carro com maior capacidade de resposta e a aceleração mais linear, até porque é o que pega melhor na mudança seguinte, não exibindo nenhum do compasso de espera que se sente no Opel.

Penalizado pelo peso extra e por um motor com maior atraso de resposta menos utilizável abaixo das 2000 rpm, o Zafira Tourer acaba por ser o menos confortável de conduzir em cidade (até porque o bloco permanece mais ruidoso e áspero que os seus concorrentes), com a potência a aparecer de forma mais brusca e menos controlada; precisamente o oposto do sedoso Toyota. O Verso é o que tem os comandos mais leves e suaves, embora a caixa não possua a rapidez e precisão de manuseamento da caixa do Peugeot 5008, a melhor deste trio. O que coloca o carro gaulês abaixo do japonês em matéria de esforço exigido ao condutor é a direção, que alterna entre demasiado pesada até aos 20/30 km/h e demasiado leve a velocidades de autoestrada. O volante de grandes dimensões também não ajuda nada.

Mais leves e menos potentes o 5008 e o Verso são menos gastadores que o Zafira, com a diferença a poder superar 1 l/100 km quando se abusa do acelerador. Em oposição, o 5008 é o que consegue fazer consumos mais baixos e o que manifesta maior insensibilidade relativamente ao estilo de condução adotado, tirando partido de ter o motor mais pequeno montado no carro mais leve. A boa resposta do 1.6 HDI em regimes e cargas reduzidas é também fundamental, funcionando como um incentivo ao condutor para o usar dessa forma, enquanto no Opel existe sempre mais tendência para acelerar.

Toyota é mais mole

À maior desenvoltura em reta o Zafira soma o comportamento mais preciso, ágil e desportivo em curva. É o que exibe melhor controlo dos movimentos de carroçaria, o que tem mais aderência e único que permite desligar o ESP. Ou seja, quando não estão em uso os sete lugares, o Zafira não se nega a ser apresentado a uma sequência complicada de curvas de forma mais empenhada, situação em que revela uma competência acima da exibida pelos seus rivais. No segmento, apenas o Ford S-Max tem uma eficácia comparável. O Peugeot 5008 também é bastante ágil a baixa velocidade, sentindo-se que é o mais leve deste trio, e o que tem mais tração, mas perde alguma precisão quando a velocidade se eleva, ao passo que o Toyota Verso é o menos interativo e o que acusa movimentos de carroçaria mais amplos. Mas a maior parte dos potenciais clientes deste tipo de carros estará mais interessada no conforto de rolamento e na qualidade do pisar do que na nota artística a curvar. E aqui... nenhum se destaca em particular. O Opel é o mais sólido e firme mas não chega a ser desconfortável, enquanto o Peugeot revela um amortecimento mais abrangente mas emite mais ruídos parasitas. Entendendo o conforto de rolamento apenas como uma função das acelerações verticais transmitidas aos rins em mau piso, o Toyota Verso acaba por revelar uma ligeira vantagem relativamente aos outros dois, vantagem ampliada pelo motor de funcionamento mais refinado e silencioso deste comparativo.

 

 

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