Já é possível ter a carrinha mais moderna da Volvo por mais mil euros do que a acanhada V50 1.6 Drive e por menos quatro mil do que a V60 D3. A V60 D2, com um motor 1.6 Diesel, arranca nos 35 mil euros sem que isso implique um arrombo nas suas qualidades.




É fácil supor que uma carrinha com 1,5 toneladas de peso em vazio e 4,60 metros de comprimento ficará submotorizada com um pequeno bloco de 1,6 litros Diesel. Mas a resposta será sempre directamente proporcional ao nível de exigência, desde que se cumpra um mínimo. E a V60 D2, que tem um motor com 115 cv e 270 Nm (igual ao da V50 e de origem PSA) cumpre, em qualquer análise, os mínimos.

Carrinhas Volvo grandes com motores pouco potentes, não são novidade. Lembre-se da carismática e enorme 960 Diesel dos anos 90, que com um peso equivalente ao desta V60, também contava com os mesmos 115 cavalos de potência e 225Nm de binário, um valor muito abaixo daquele que este D2 garante. Com a actual política fiscal e a evolução dos motores Diesel, esta cilindrada significa baixos consumos e emissões, o que hoje é sinónimo de uma imensa poupança: mais de quatro mil euros no preço inicial face à D3, quase todos abatidos na diferença do ISV, e menos de 7 l/100 km com muita facilidade.

E anda que chegue?
A V60 D2 é, obviamente, mais afectada pelo peso a bordo e pelas subidas do que as suas irmãs mais potentes. Face à D3 gasta uns significativos três segundos adicionais na tradicional aceleração dos 0 ao 100 km/h e repete a diferença nos primeiros mil metros de arranque. Mas mesmo sem uma máquina de medições, há algumas situações nas quais sobressaem as limitações da V60 D2.

Nas subidas íngremes é obrigatório levar o motor acima das 1500 rpm para se vencer a inércia. Arranques apenas ao “ralenti” não são para este Volvo, ainda que o motor não se cale com facilidade. O travão de mão, com função de libertação automática é uma ajuda, mas seria ainda mais prático ter um sistema de auxílio ao arranque em subidas (hill-holder), que a V60 não tem.

A segunda maior limitação sente-se em viagem, principalmente com a lotação esgotada. Os 190 km/h de velocidade máxima não são utópicos e mantêm-se os 130/140 km/h de velocidade de cruzeiro com suficiente facilidade, mas a primeira das muitas serras que as nossas auto-estradas atravessam de Norte a Sul obrigará a reduzir de sexta (a única posição da caixa que não tem uma engrenagem natural, nesta unidade) e, às vezes, de quinta. Na V60 D2 o taquímetro sobe muito mais depressa do que o velocímetro.

Por outro lado, na utilização quotidina e citadina, que ocupa a esmagadora maioria dos automóveis deste segmento, a linearidade deste motor 1.6 entre as 1500 e 3500 rpm não sublinha a menor agilidade face, por exemplo, a uma carrinha do segmento inferior. E o melhor de tudo é que se consegue andar nesta vida por uns bons mil quilómetros com um único depósito.

 


Assine Já

Autohoje nº 1412
Já nas bancas

Digital Papel

Top

Os mais recentes