O óleo de motor mineral, semissintético ou sintético tem particularidades que deve conhecer antes de colocar um lubrificante dentro do motor. Preparámos um manual completo sobre óleo de motor.

Qual o melhor óleo para o seu carro – Sintético ou semissintético?

O melhor óleo será sempre o sintético. Mais resistente a altas temperaturas e com mais tempo de duração no motor. Também é mais caro, mas o nível de proteção do motor é bastante superior.

O óleo semissintético dura menos, protege menos e custa menos. As oficinas preferem e recomendam o óleo semissintético porque o cliente volta a cada 10.000 km (com o óleo sintético voltam a cada 20.000 km) e “brilham” no preço das revisões porque cortam em metade o custo do óleo e o cliente gosta de pagar sempre menos. Também preferem o semissintético porque o desgaste dos componentes do motor é maior e as reparações ocorrem mais cedo nos veículos que usam óleo semissintético comparativamente aos que usam óleo sintético.

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Veja de seguida como são fabricados os óleos para a indústria automóvel…

Elemento essencial no motor

O óleo tem uma função única e insubstituível para o motor: o arrefecimento dos componentes. Qualquer negligência com este elemento fundamental ao funcionamento do motor pode resultar em reparações avultadas.

Motor gripado

Quando o óleo falta ao motor os problemas que se seguem são vários e todos representam danos avultados. O cuidado com este fluido tão importante e a sua circulação pelo motor merece a atenção de todos os que conduzem um automóvel.

Para prepararmos um artigo que conseguisse responder à maioria das questões que mensalmente vamos recolhendo através dos nossos leitores, procuramos os melhores especialistas em lubrificantes no nosso país. Como fabricante de lubrificantes a Galp tem nas suas fileiras uma equipa especializada em lubrificantes, nomeadamente lubrificantes para automóveis.

Paula Gomes, responsável pela gestão de oferta para a área de lubrificantes e o Eng. José Vaz Serra, responsável pela fábrica de lubrificantes da Galp em Matosinhos, forneceram a informação atualizada sobre o que de mais avançado está a ser feito no que aos óleos de motor diz respeito.

Estivemos na fábrica a acompanhar o processo produtivo dos óleos de motor que a Galp produz para abastecimento do mercado nacional e para os canais de exportação. Durante a visita à fábrica de lubrificantes aproveitámos para fazer todas as perguntas sobre óleos de motor.

O que são os óleos base?

Tudo começa com os óleos base. Os óleos base são os componentes principais dos lubrificantes. São obtidos por refinação de crudes. De forma muito simplificada, o processo inicia-se com a destilação do crude numa coluna atmosférica que procede à separação dos componentes mais leves presentes no crude, ou seja GPL, as gasolinas, gasóleos, e outros. Desta coluna é extraído um resíduo que é posteriormente destilado em coluna de vácuo e onde, tendo por base as temperaturas de destilação dos vários destilados, são obtidos os destilados dos diferentes grades de óleos base minerais. Estes destilados são posteriormente submetidos a tratamentos de melhoria de características para os tornar adequados para utilização na produção de lubrificantes. Desta forma nascem os óleos base minerais. Existem também bases sintéticas que podem ter diferentes origens químicas sendo que para a sua produção são necessárias reacções de síntese química, ou seja, reacções onde existe rearranjo molecular dos componentes. Para esta síntese química são também muitas vezes utilizados componentes provenientes da destilação do crude.

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O que quer dizer o índice de viscosidade?

A viscosidade é um termo que surge a todo o momento numa conversa sobre óleos de motor. O que representa e que importância tem a viscosidade do óleo?

O índice de viscosidade (IV) é um parâmetro físico-químico que quantifica a variação da viscosidade com a temperatura. Quanto mais elevado for o valor do IV, menos a viscosidade do óleo varia com a temperatura, ou seja, mais estável será a sua viscosidade. Esta estabilidade é importante quer para o arranque a frio dos motores quer para o seu funcionamento a elevadas temperaturas. Num lubrificante com IV adequado, nas baixas temperaturas, típicas do arranque a frio, a viscosidade não é demasiada alta de forma a bloquear ou dificultar o arranque do motor e a altas temperaturas a viscosidade e consequentemente a película de lubrificante não desce demasiado, o que poderia provocar um desgaste do motor ou mesmo a sua gripagem.

A tendência do mercado aponta para um aumento da oferta de óleos menos viscosos que trabalhem a temperaturas mais elevadas.

Como ler as referências dos óleos

As várias referências dos óleos como 15W, 10W, 0W, o que querem realmente dizer?

Os óleos com as referências que incluem o W são os chamados multigraduados. Estes lubrificantes incluem aditivos melhoradores do índice de viscosidade que permitem estabilizar ou reduzir as variações da viscosidade com a temperatura. Para além destes aditivos, também as bases sintéticas permitem a obtenção de graduações W mais baixas (0W, 5W ou 10W). Antigamente, a selecção destas graduações W estava exclusivamente relacionada com o clima onde o motor iria funcionar. Actualmente, este conceito está ultrapassado dado que, em especial as graduações mais baixas, estão associados a lubrificantes que incorporam bases sintéticas e que permitem reduzir o atrito interno no funcionamento do motor e consequentemente reduzir o consumo de combustível e a emissão de partículas.

Os lubrificantes multigraduados são classificados por um número associado ao W e que está relacionado com as características do óleo avaliadas a baixas temperaturas. Este número é conjugado com outro número 10, 20, 30, 40, 50  relacionado com a avaliação da viscosidade do óleo a 100ºC. Surgem então as viscosidades 5W30, 10W40, 15W40 e todas as outras conjugações possíveis.

Para seleccionar a graduação de viscosidade adequada ao motor do seu veículo, deve consultar o manual de manutenção e seguir as recomendações indicadas pelo construtor.

Compensa reforçar o óleo com aditivos?

Em geral as formulações dos lubrificantes auto, quer minerais quer sintéticos, incorporam sempre aditivos. Os aditivos presentes num determinado lubrificante foram seleccionados tendo em consideração as características finais que se pretendem para o lubrificante e as suas respectivas dosagens foram afinadas tendo também em consideração as interacções entre eles e o nível de despenho pretendido para o lubrificante. Este nível de desempenho é validado quer em ensaios físico-químicos quer em ensaios em motor. Estes ensaios em motor são desenvolvidos pela indústria dos lubrificantes em parceria com os construtores de automóveis e as especificações existentes são a base para a avaliação do desempenho requerido para o lubrificante adequado a um determinado tipo de motor. É portanto totalmente desaconselhada a adição posterior de qualquer tipo de aditivação já que pode por em causa as características do lubrificante adquirido e a sua adequação às especificações requeridas.

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PERGUNTAS MAIS COMUNS

Como deve escolher o lubrificante para o seu carro?

A maioria das oficinas utiliza óleos semissintéticos (muitos concessionários oficiais também o fazem) quando o “Manual do Proprietário” recomenda óleo sintético. Seja exigente neste capítulo e não facilite com o óleo do motor. Faça sentir a quem assiste o seu automóvel que o óleo não se discute.

Sempre que escolher um óleo não recomendado pelo fabricante está a arriscar a integridade dos componentes do motor e a reduzir drasticamente a vida útil do motor e da caixa de velocidades.

São vários os casos de oficinas ditas especializadas que colocam óleos semissintéticos para aumentar a margem de lucro das revisões ou para terem preços atrativos e depois os motores acabam danificados.

Quando e como verificar o nível de óleo na vareta?

A cada 15 dias ou no máximo mensalmente deve verificar a vareta do óleo. Evite ser avisado pela luz do óleo (nessa altura o desgaste é elevado) e confirme se o nível na vareta está entre os traços do mínimo e máximo.

Se estiver no mínimo deve acrescentar cerca de 250 ml de óleo e voltar a verificar a vareta no dia seguinte. Evite colocar muito óleo de uma vez e ultrapassar o nível máximo.

Em alguns motores a evaporação e queima de óleo é mais frequente pelo que a verificação deve ser mais regular.

Quando deve mudar o óleo?

Dependendo do tipo de óleo deverá mudar a cada 5000 Km se utilizar óleo mineral (cada vez mais raro nos veículos atuais), a cada 10.000 Km se utilizar óleo semissintético e a cada 20.000 km ou mais se usar óleo sintético.

A mudança de óleo deve ser feita preferencialmente com o óleo ainda quente, porque fica mais fino e tem mais facilidade de escorrer na totalidade. 

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