Não é apenas no desporto que a “clubite” se apodera da mente dos adeptos mais fervorosos, toldando-os muitas vezes de uma visão mais objetiva. No igualmente apaixonado (e apaixonante) mundo dos automóveis, as discussões sobre se este ou aquele é melhor do que o outro estão à vista de todos, seja nas redes sociais, fóruns ou sites – e nas páginas oficiais do Autohoje isso não é exceção. Ao cruzar-me com um diagrama que mostra a origem dos vários componentes do novo Renault Mégane, recuperei uma ideia que mantenho já há algum tempo: a diferença entre os automóveis, sejam europeus, asiáticos ou norte-americanos, é cada vez mais ténue, em virtude da partilha das referidas peças. A economia de escala assim o obriga.

Um dos fenómenos que mais expôs esta realidade, e que parece não ter fim à vista, foi o defeito dos airbags da Takata, que implicou, até agora, um recall de 100 milhões de carros, estima-se, nos quatro cantos do mundo, envolvendo desde marcas (de generalistas a premium, e de várias proveniências) clientes deste componente.

O mundo dos componentes/fornecedores de automóveis é tão extenso que pode levar uma discussão sem fim à vista. Mas os brasileiros, sempre tão inovadores com a forma como lidam com a sua língua, têm um termo certeiro para definir esta realidade dos fabricantes de automóveis, referindo-se a eles como montadoras. É uma palavra que define muito bem a realidade de produtos que resultam cada vez mais de componentes comuns entre si, e que redundam em produtos cada vez menos diferenciados onde muitas vezes pouco mais muda do que o logótipo. É o que se exige numa sociedade cada vez mais “imediata”.

Depois de a PSA ter comprado a Opel, há já quem vaticine novas fusões/aquisições – logo, previsivelmente, mais partilha de motores, plataformas, componentes, tecnologia, etc. Uma realidade mais ou menos esperada na indústria automóvel ocidental, que não quer deixar de ser inovadora e ao mesmo tempo competitiva, perante uma realidade cada vez mais globalizada. 

E, no meio disto tudo, onde fica a paixão?

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