Está na ordem do dia, a notícia de Fernando Alonso não disputar o Grande Prémio do Mónaco de Fórmula 1, para ir correr as 500 Milhas de Indianapolis. Para quem segue a Fórmula 1 e o desporto automóvel internacional há muitos anos, sabe que isto não é propriamente uma novidade porque já antes, vários pilotos de F.1 o fizeram. Uns com mais sucesso do que outros, é certo, mas todos sempre com um receio meio escondido, como Alonso deixa também transparecer das suas palavras sobre o assunto, de que correr na oval de Indy não é propriamente a mesma coisa que correr em Silverstone ou até no Mónaco. Correr em Indianapolis, mais do que a questão daqueles “se nunca bateram no muro é porque são lentos, porque os rápidos vão lá bater um dia”, o que importa reter neste momento é saber como o piloto espanhol irá simplesmente reagir da primeira vez que a traseira do monolugar da equipa Andretti começar a querer ultrapassar a frente…

Normalmente, um piloto como Alonso habituado às corridas tradicionais, viraria o volante no sentido contrário, justamente, para tentar contrabrecar e assim opor a tendência sobreviradora do carro com uma ligeira correção de volante. A questão é que nas ovais, essa manobra automática de quem anda anos a fio nos automóveis não se aplica, porque aquilo que se deve fazer é rodar o volante do sentido oposto, não contrário a sobreviragem, para obrigar, justamente, o carro a entrar em pião, evitando bater no muro de proteção ou se isso não fôr possível, pelo menos, que o seja de forma mais suave. Digamos, em suma, que é uma reação contra-natura de um piloto, que requer habituação, como Emerson Fitttipaldi ou Nelson Piquet, por exemplo, bem o demonstraram. A questão final que se coloca nesta manobra arriscada, que Alonso diz não recear é, se acontecer algo de anormal, o que será do resto da época?... E mesmo que Alonso tenha tempo e oportunidade para treinar, há sempre uma momento em que um piloto procura os limites e normalmente é nesses momentos que as coisas podem correr para o “torto”. Esperemos que não!

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