Automobilistas e ciclistas nunca foram muito amigos no que respeita aos direitos de utilização da estrada. Utilizo uma pequena parte da Av. Marginal entre Algés e Caxias e nesse curto percurso tenho presenciado verdadeiros atentados ao civismo – para não falar ao Código da Estrada – por parte de quem pedala. É verdade que não sou adepto da prática do ciclismo. Veículos de duas rodas só se tiverem motor. Mas que fique bem claro que tenho nada contra os ciclistas, desde que cumpram as regras estipuladas no código para quem circula na estrada.

Voltando ao que tenho presenciado, já vi inversões de marcha em plena Marginal, os semáforos vermelhos não contam para os ciclistas, estão imunes à sinalização, passam nas passadeiras montados na ginga a fintar os peões, querem respeito pela distância de segurança de 1,5 metros, mas andam lado-a-lado à impressionante velocidade de 6 km/h a ocupar toda a via de rodagem – em alguns casos a via única no sentido do trânsito ou andam na estrada com a ciclovia ao lado. O pior é que muitos divertem-se com as filas que seguem atrás deles. Também já vi um ciclista a pedalar e a falar ao telemóvel. A pior de todas as infrações que um ciclista pode cometer é a de circular à noite sem qualquer iluminação. E não são poucos os que continuam a arriscar esta prática.

Veio a legislação para defender o ciclista conferindo-lhe direitos e esquecendo-se bastante dos deveres. Andar na estrada requer responsabilidade que muitos ciclistas fazem questão de ignorar. O mais interessante é que muitos deles também usam o automóvel e ao volante param no semáforo vermelho e quando agarrados ao guiador da bicicleta o cérebro desconfigura-se.

A polícia pouco ou nada pode fazer e mais uma vez porque o legislador fez a lei sem se inteirar no terreno das consequências. Alguém mandou fazer uma lei e foi feita no conforto do gabinete, quiçá por um legislador que nem sabe andar de bicicleta. As autoridades terão sempre dificuldade em aplicar a lei. Não os vejo a fazer operações para mandar parar ciclistas.

O fato é que o clima de agressividade entre a fação enlatada e a fação da pedalada cresce e é fácil de constatar por quem anda na rua.

Isto tudo para vos relatar um episódio que assisti recentemente na estrada da Arruda dos Vinhos para o Sobral de Monte Agraço, estrada nacional com um grupo de ciclistas a ocupar a via por inteiro na subida para Pontes de Monfalim com muros de um lado e outro da estrada. Trânsito intenso em direção contrária à marcha dos ciclistas e fila longa de carros vassoura a 6 km/h atrás do pelotão. O carro da frente com o condutor já impaciente de ouvir tanta buzinadela dos que vinham atrás… arrisca a ultrapassagem, mas percebe que o espaço é curto e atira-se para cima do lado mais fraco, o do pelotão. Felizmente ninguém saiu magoado apesar das condições indiciarem o contrário, os ciclistas travaram criaram espaço e tudo acabou bem com braços no ar, buzinadelas e muito palavrão alusivo a uma eventual vida devassa da mãe do condutor. Felizmente ninguém caiu ou teria sido uma manhã de domingo muito complicada.

Isto para dizer que nesta contenda o ciclista é o lado mais fraco e qualquer condutor terá o instinto normal de evitar uma colisão com outro automóvel acabando por se “baldar” para cima da bicicleta.

Para terminar deixo duas perguntas aos nossos leitores:

As bicicletas deviam voltar a ter matrícula como tinham há anos atrás?

Se um ciclista ao passar por uma fila de carros e fizer um risco na pintura do seu carro, como o consegue identificar para pagar o dano?

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