Sandro Meda

Siso a fundo

Dezanove toneladas, com 55 pessoas lá dentro, 13,5 metros de comprimento e mais de 37 de área: isto convida a comparações óbvias se desdobrarmos os números em carros ligeiros (13); em festas; ou até mesmo em assoalhadas, uma boa sala ou mini apartamento. Mas prefiro multiplicar os números para insistir na aberração da disparidade da Classe 2 nas portagens, que está quase a merecer a atenção da Assembleia. Os números que leu em cima descrevem a dimensão de um imenso autocarro que paga exatamente a mesma quantia pedida a cada quilómetro de autoestrada a uma pequena furgonete dez vezes mais pequena e leve ou ao tristemente célebre, nisto das portagens, Opel Mokka. 

Suspeito que seja difícil esperar a mudança justa: o dinheiro adiantado ao Estado pelas concessionárias para compensar esta taxação já deve ter desaparecido há muito, provavelmente na habitual relação “a-bem-de-uns-poucos-a-desfavor-de-todos”; mas há diversos pontos em que o Governo pode, deve, e, sendo competente, tem que, exercer a sua função reguladora. E nas autoestradas nacionais há muitos temas de pormenor que resultariam em benefícios para os utilizadores ou, num âmbito mais lato, em vantagens sociais e que estão resolvidos de forma nebulosa. Por exemplo, o do rácio de utilização máquina/portageiro, que também tratamos na página 38, cuja preferência é facilmente constatável por qualquer utilizador de portagem. Ou a obrigatoriedade de contribuírem para a correta e farta sinalização de rotas alternativas à volta das autoestradas, que evite o desperdício de tempo e de combustível e, provavelmente, alguns acidentes. Ou uma justa redução do preço da viagem de acordo com as reduções de velocidade e/ou interrupções para obras e manutenção. As autoestradas nacionais têm muitos méritos; mas certamente que poderão acrescentar mais alguns de elementar juízo.

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