Sandro Meda

Queria? Batatas!

Na história da humanidade, principalmente nas sociedades que em algum ponto se apresentaram como lutadoras pela igualdade, é comum a utilização dos mais diversos instrumentos institucionais para agregar a força do Estado e manter a estabilidade social. Num deles, assim apresentado durante muitos anos a bem dos princípios da comunidade e conceito igualitário, o Gulag, até a sopa era comum. Da mesma panela comiam todos: a generalidade da populaça tinha prioridade, comia primeiro; recebia o caldo do topo, pouco mais que água morna. Os outros, uma minoria de cozinheiros e seus amigos, que até cediam generosamente a vez, ficavam para último, e levavam o que sobrava, assente no fundo: os pedaços de legumes e de carne. Os primeiros já longe da vista, radiantes, degustavam a um canto a generosidade e altruísmo de quem mandava; sem energia nem cabeça para entenderem a diferença entre o que é e o que parece.

E parece que, entretanto, agora que ameaçava fazer sentido e alguma justiça o ajuste de equilíbrio em contraponto à taxa, a quinta, a incidir sobre os produtos petrolíferos e logo com uns 12% caídos do céu, a benesse foi anulada. Com a subtileza habitual: os descontos anunciam-se com pompa; a sua anulação pela calada. Porque também parece melhor dizer mal dos combustíveis fósseis e puxar pela eletricidade. É um tema tão benigno que ninguém lhe vê maldade, por pior que seja o serviço ou o descontrolo do preço. É um tema tão benéfico e anestesiante que quase chega a parecer fazer sentido chamar-se subsídio a uma verba que só existe se, antes, for coberta em dobro com um imposto. Sim, como o Twizy nem sequer é considerado automóvel, esta ideia aqui ao lado promete “dar” 2250 euros, o caldo, a quem retribuir com, pelo menos, o dobro do valor em IVA, a carne. Hum, delicioso, muito obrigado!

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