Se os pequenos SUV lhe despertam paixões, não renegue à partida um combustível que “desconhece”. É que pode chegar à conclusão de que o Ecosport 1.0T, o Captur 0.9 TCe e o Juke 1.2 DIG-T são uma opção mais acertada do que os congéneres a gasóleo.

Com o segmento dos pequenos SUV em crescimento acelerado e os pequenos motores a gasolina turbo a afirmarem-se, cada vez mais, como uma solução de futuro, juntar no mesmo trabalho os dois universos não só faz todo o sentido como é mesmo imperativo. A chegada do renovado Ford Ecosport 1.0 turbo deu o mote perfeito. Não tendo sido propriamente um sucesso esmagador, o Ecosport surge com renovados argumentos. O desenho foi retocado e, mesmo não sendo apaixonante é, pelo menos, mais consensual. A caraterística roda de reserva na tampa da mala desapareceu, tendo passado para a lista dos opcionais (203 euros). O interior foi também ele alvo de atenções e são evidentes as melhorias na qualidade geral. Ainda assim, estas não foram suficientes para retirar o Ecosport do fundo da tabela no segmento...

 O que não mudou foi a agressiva política comercial da Ford, assente em preços base muito competitivos, reforçados por descontos pontuais que, dependendo de alguns fatores (opção por financiamento, por exemplo), podem ultrapassar os 5000€ (!) no caso desta versão 1.0 EcoBoost. De destacar ainda que, sendo o único que corria o risco de ser classe 2 (está no limite do critério da altura), a Ford garante que todos os Ecosport vendidos em Portugal vêm com molas mais curtas e uma declaração da Brisa (um cartão que acompanha o carro) assegurando que o SUV da Ford paga classe 1 nas portagens nacionais. De qualquer maneira, as versões Titanium S, como é o caso da unidade ensaiada, vêm sempre de série com suspensão desportiva mais baixa.

No Juke essa questão nem sequer se coloca, já que o SUV da Nissan paga (e sempre pagou) classe 1. Já a política comercial da Nissan é tão, ou mais, agressiva do que a da Ford. Se optar pelo Juke 1.2 DIG-T recebe logo à cabeça um “incentivo” de 1580€. Se entregar uma retoma, garante mais 1000€. Se optar pelo financiamento Nissan Gest acrescem mais 1000€ e, por fim, se quiser um pacote de seguros ainda consegue juntar mais 400€ ao “bolo”. No total, os descontos podem ascender aos 3980€. Não contente com isso, se for cliente registado You+ (no site da Nissan) tem 4 anos de garantia (mais 1 ano) e 4 anos de manutenção.

Perante tão grande generosidade, a Renault faz figura de “sovina”. Oficialmente não há qualquer campanha de descontos, mas esta série especial #Captur garante um significativo reforço de equipamento. Ainda assim, perante os preços praticados pelos concorrentes, o Renault fica em maus lençóis, especialmente quando sob o capot encontramos o pequeno 0.9 TCe. Não nos julgue mal, este motor é muito enérgico e uma boa escolha para motorizar, por exemplo, o Clio, mas no Captur os 90 cv são “curtos” em estrada aberta e, naturalmente, não acompanham os 125 cv do Ford ou até dos 115 cv do Nissan.

No caso do Ecosport o 1.0 turbo de 125 cv é mesmo o principal atributo. Com prestações de respeito para um motor de tão baixa cilindrada, o três cilindros da Ford consegue ainda a proeza de ser muito regrado nos consumos, registando valores semelhantes aos apresentados Captur com menos 35 cv de potência. O 1.2 DIG-T da Nissan, por exemplo, não é tão eficiente, mostrando quase a mesma desenvoltura do 1.0T mas à custa de consumos mais elevados em autoestrada e em ambiente urbano. A vantagem do 1.2 da Nissan é que é muito mais refinado (ninguém diria que é um três cilindros) e expedito em baixos regimes, sendo ainda o único entre os presentes que surge associado a uma caixa manual de seis velocidades. E os argumentos dinâmicos do Juke não se cingem ao motor. Com uma suspensão que controla eficazmente os movimentos de carroçaria e o conjunto jantes/pneus (225/45 R18”) mais desportivo do trio, o Nissan é o mais eficaz em traçados sinuosos, sendo difícil quebrar o atrito dos Continental Sport Contact 5 em piso seco. O reverso da medalha está, obviamente, no custo dos pneus e, mais importante ainda, na penalização que esta solução acarreta para o conforto de rolamento. Agora cabe-lhe a si decidir se este é um preço justo a pagar... O mesmo problema terá um cliente do Ecosport, embora neste caso haja pouco a fazer já que a suspensão desportiva (ou pelo menos rebaixada) é sempre de série em Portugal e as jantes de 17” fazem parte do pacote de equipamento do Titanium S. Já quem optar pelo Renault terá garantido um convincente conforto de rolamento, embora neste caso à custa de uma maior acuidade do comportamento. Se bem que, julgamos nós, quem compra um Captur 0.9 TCe estará mais preocupado com a facilidade de condução e a economia de utilização do que com o prazer que, eventualmente terá ao volante do mesmo. Esta é, aliás, a abordagem que tem garantido ao Captur os fantásticos números de vendas: maximizar os aspetos práticos, sem perder de vista o tão desejado apelo estético. Assim se compreende a superior habitabilidade do SUV gaulês, a maior capacidade da mala ou a superior versatilidade interior, com destaque para a possibilidade de regular longitudinalmente o banco traseiro. Os custos de utilização do Renault também são marginalmente menores, já que aos consumos relativamente contidos o Captur associa um menor valor de IUC (é o único com emissões abaixo das 120 g/km). O Ford responde com o preço final mais baixo, sendo de destacar que o valor declarado nem sequer é obtido à custa do equipamento de série.

Jogo “mental”

Feitas as contas, nem a superioridade do Ecosport no preço, nem os menores custos de utilização ou a supremacia do Captur nos aspetos práticos foram suficientes para bater o Juke. Ou melhor, para bater a estratégia comercial da Nissan já que acabam por ser os resultados obtidos nos elementos de segurança, no equipamento e no comportamento a desequilibrar a balança a favor do nipónico.

Assim, e sem mais rodeios, se procura um pequeno SUV de caraterísticas urbanas, bem equipado, ágil e divertido de conduzir e não se importa com o desenho menos consensual, o Juke 1.2 DIG-T foi feito à sua medida.

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