Numa edição do Autohoje dedicada às caixas automáticas, nada melhor que reunir três propostas que usufruem desse elemento para tornar a condução em cidade ainda mais simples.  Com a chegada ao mercado do Opel Karl e a sua caixa de velocidades robotizada, “convidámos” o Hyundai i10 1.0 com caixa automática e o incontornável Smart Forfour equipado com caixa de dupla embraiagem para um “entretém” que dá descanso ao pé esquerdo.

Os citadinos, tal como o nome indica, são a melhor forma de andar pela cidade. Contidos nas dimensões, económicos e mais baratos na hora da aquisição, são a melhor proposta para quem faz da cidade a sua forma de vida. Para facilitar ainda mais esta tarefa é possível juntar-lhes, em alguns casos, uma caixa automática, solução que torna a condução mais simples, já que basta colocar o comando da alavanca no “D”… acelerar e travar. Nunca foi tão fácil conduzir um citadino! E como o tema principal desta edição do Autohoje são, precisamente, as caixas de velocidades automáticas (incluímos nesta edição vários temas sob o mesmo dossier), decidimos juntar três propostas com três tipos de caixas diferentes. A grande novidade é o Opel Karl que recebe uma caixa de velocidades robotizada acoplada ao motor 1.0 tricilíndrico de 75 cv, e que se vem juntar ao Hyundai i10 1.0 Auto com caixa automática de quatro relações, e ao Smart Forfour 0,9 que faz uso da caixa de dupla embraiagem de seis velocidades, também utilizada pela Renault no Twingo.

Qual será então a melhor opção para quem pretende tornar a condução em cidade mais simples, utilizando o carro para se deslocar do ponto A ao ponto B? Neste comparativo, os três intervenientes não partilham bases ou componentes entre si, são três formas diferentes, espaçosas e versáteis de transporte na cidade.

A estética conta

No que diz respeito ao desenho, o Forfour será rei e senhor. O Smart, por tão desejado neste segmento, é “egocêntrico” desde o primeiro dia e este facto oferece-lhe um preço que o afasta dos rivais, nomeadamente se lhe formos juntando opções de personalização e de conforto, pois como é comercializado pela Mercedes-Benz, acaba por sofrer da mesma política comercial. Mas… acaba por ser justo! Afinal de contas, o facto de se ser um dos carros mais desejados do segmento, merece ser pago. O Karl aposta no motor 1.0 Ecoflex para vingar, mas, tal como o Hyundai, tem um “ar” mais comum. Ainda assim, e como é o mais recente dos três, tem linhas apelativas e modernas e até o formato acaba por ser muito feliz para este segmento: um pequeno monovolume, alto e espaçoso, com capacidade para cinco ocupantes.

Por fim, e como modelo mais “antigo” surge o Hyundai i10. Traz o motor 1.0 e uma imagem sem rasgos e incapaz de colocar alguém de sorriso nos lábios, mas em termos de racionalidade fica ao nível do Karl, até pela lista de equipamento de série.

Estética e beleza à parte, entramos no habitáculo. No interior, o Hyundai vence! É mais espaçoso em largura e comprido para as pernas atrás e, tal como o Opel, está preparado para transportar três pessoas no banco traseiro. O Karl é mais estreito, mas mais alto no habitáculo. Neste aspeto, o Smart peca por ter o banco traseiro apenas para dois ocupantes. Na capacidade de armazenar objetos no interior, são os três bastante versáteis e funcionais, com diversos espaços de arrumação e ao alcance de qualquer um. Desde porta-luvas generosos a bolsas nas portas bem dimensionadas, nada lhes falta. Todavia, o Smart abre os vidros traseiros em compasso, ao contrário do Opel e Hyundai que têm vidros traseiros com elevador.  Na capacidade da mala, o Hyundai é o mais generoso. São 252 litros contra 205 do Opel e 185 litros do Smart, sendo este prejudicado pelo facto de ter o motor atrás.

Todos contam com plásticos rijos, mas no Opel a contenção de custos é melhor disfarçada. Já a montagem soa muito semelhante e nenhum dos três emitia ruídos parasitas (ok… são novos). Na posição de condução o i10 é o menos competente. Ajusta o banco e volante em altura, mas os ajustes são pouco versáteis. Além disso, o volante está mais “deitado” face aos rivais. No Opel, conduzimos numa posição mais elevada e no Smart seguimos bem encaixados entre os bancos de aspeto desportivo e volante de excelente pega.

Na lista de equipamento, destaque para o Karl que pode ter, por exemplo, assistente de faixa de rodagem, dando a entender a pretensão da Opel em levar este citadino para fora da cidade. O Smart obriga a usar a lista de opções para o tornar mais recheado e exclusivo e, no caso do Hyundai, é uma espécie de “o que está à vista está incluido”, não há opções, mas antes uma lista recheada.

Em cidade, a agilidade é um atributo de todos. O Karl destaca-se, no entanto, por ter a leveza da direção com função City. Tem também a ajuda do formato “caixa” com vidros direitos e uma caixa de velocidades de atuação muito suave, ainda que, de vez em quando, surjam os habituais solavancos inerentes a uma caixa com estas caraterísticas (robotizada). Aliás, todos os comandos são muito fáceis de dosear. O Forfour, tirando uma carroçaria menos aberta ao exterior, praticamente repete as premissas de agilidade do Opel. A caixa é suave e rápida, claramente a melhor entre as presentes, mas o motor com 71 cv não colabora sempre e dá conta de algumas limitações. Mas, felizmente, o Smart tem o melhor raio de viragem, já que o motor e a tração foram deslocados para o eixo traseiro. O i10 tem boa disponibilidade a baixos regimes e uma direção leve, mas não merece muitos mais elogios. O tato do travão requer hábito, e a caixa torna a condução em cidade um pouco desesperante, tal é a lentidão com que sobe de regime. Mesmo em modo automático, deixa que a rotação do motor suba demasiado, levando o ruído a aumentar no habitáculo. Neste caso, é necessária a intervenção do condutor, que com um aliviar de pé no acelerador, obriga-a a passar de relação.

No conforto, a unidade ensaiada do Smart contava com jantes Brabus de 17” e suspensão mais baixa, mas equacionámos uma unidade sem o kit Brabus (que aparece nas imagens) para o preço ficar mais nivelado pelos outros dois. Assim sendo, o Smart está em consonância de conforto com o Opel, tirando também ele partido da solidez geral e do bom trabalho das suspensões. O Karl é firme e até um pouco saltitante atrás, mas face ao Forfour até se revelou ligeiramente mais benevolente, tal como o Hyundai, que, com jantes de 14”, é o mais complacente, além de apresentar um pisar robusto e sólido. Já a desenhar um trajeto em curva, o Opel e o Smart seduzem, sendo que a direção do Karl até parece mais direta. O Hyundai também tem boa aderência, mas em contrapartida a direção é vaga e, no geral, tende a adornar um pouco. Ainda assim, não dececiona.

No que diz respeito às prestações, o mais “despachado” é o Opel. O facto de ter 75 cv e uma caixa com reações céleres (para uma robotizada), consegue ser o mais lesto a acelerar e a recuperar. O Hyundai é um pouco mais rápido do que o Smart, embora o alemão não fique muito para trás. Ainda assim, os mais de 17 seg. para cumprir a clássica aceleração dos 0 aos 100 km/h atestam bem das limitações fora da cidade, destes dois “rapazes”. Nas recuperações, os papéis invertem-se e vem ao de cima a eficácia da caixa de dupla embraiagem, face à automática.

No apetite de combustível registado nas nossas medições, todos são bem-comportados. É possível no dia a dia rodar de forma despachada e fluída, com consumos que raramente ultrapassam os seis litros. Com cautela, é possível andar em redor dos cinco litros. Resta dizer que o carro que tem a melhor caixa não ganha. A vitória do Karl reflete uma relação preço/equipamento competitiva e um motor mais célere.

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