O novo Citroën C4 Picasso 1.6 BlueHDI EAT6 desafia os rivais Ford C-Max e VW Golf Sportsvan, os principais atores num segmento muito próprio de compactos com espaço à larga.  Se precisa de cinco bons lugares, para transportar adultos ou três cadeiras de bebé, e de versatilidade interior sem ter que andar de minivan, estes são a solução.

O novo C4 Picasso, e apesar das ameaças dos SUV em acabar com todas as outras espécies de automóveis, quer continuar a dar que falar. Tem uma pitada daquela irreverência “Citroënista” combinada com um inédito rigor construtivo e conteúdos bastante convincentes. Podemos destacar a completa gama de motores Diesel, onde pontifica este 1.6 BlueHDI de 120 cv, mas na qual também se pode optar por um 1.6 BlueHDI de 100 cv ou por um 2.0 BlueHDI de 150 cv. Nas versões a gasolina, a marca francesa aposta no 1.2 Puretech (turbo) com 110 ou com 130 cv.

A Citroën renovou o monovolume C4 Picasso para 2016 e introduziu-lhe mais argumentos. A estética pouco mudou, mas no interior recebeu novos elementos tecnológicos, ecrãs mais simples de operar e outras tonalidades nos painéis e tecidos. O motor é o mesmo 1.6 BlueHDI com 120 cv que surge associado à caixa automática de seis velocidades produzida pela Aisin. Pela frente, irá encontrar a forte oposição de um conjunto de rivais que é cada vez menor. Os principais rivais, e uma vez que a nova Renault Scénic não será vendida em Portugal por pagar Classe 2 nas portagens, são o Ford C-Max 1.5 TDCi e o VW Golf Sportsvan 1.6 TDI Bluemotion Technologies. O primeiro destaca-se ao anunciar os mesmos 120 cv do Citroën, enquanto o segundo representa um esforço acrescido da VW no sentido de atingir maior economia e de reduzir o impacto ambiental debitando 110 cv domados por uma caixa de (ainda) cinco velocidades.

Golf ganha por dentro

O maior sentido qualitativo e o bom gosto do arranjo interior do novo C4 Picasso deixam os rivais de ocasião para trás, criando uma agradável sensação de bem-estar. O sofisticado volante multifunções não é das soluções mais práticas (tem demasiados botões), mas o isolamento dos ocupantes está sempre bem salvaguardado e esta versão Shine está muito bem guarnecida, contando com excelentes poltronas dianteiras com massagem e forradas a couro (opção por 1500 euros). Contudo, o Golf Sportsvan sem qualquer rasgo “avant-garde” na decoração, possui os melhores materiais, e disponibiliza as maiores cotas interiores, acompanhadas por uma bagageira generosa. Só é pena que o 1.6 TDI ser tão audível a bordo…

O C-Max é o menos espaçoso entre os três, mas a apresentação interior, sendo conservadora, resulta acolhedora. Atrás, o Ford não tem bancos individuais, como o Citroën, nem consegue oferecer três verdadeiros lugares, já que o banco do meio é mais estreito que os das extremidades, dificultando, de certo modo, a acomodação de mais um ocupante ou da terceira cadeira. Neste caso, rebatem apenas as costas dos bancos. A bagageira, com 471 litros, é também a mais pequena, mas o acesso é muito bom, tal como acontece nos outros dois monovolumes.

C4 vence na estrada

“Até parece que Lisboa é uma cidade asfaltada” foi o comentário de um dos passageiros, surpreendido com a capacidade do Citroën em processar o piso degradado da capital. Não é um Citroën pneumático (já só há o C5) mas o 1.6 BlueHDI tem um razoável “flutuar” tendo em conta o uso de convencionais molas em aço. Há aderência e rigor dinâmico à medida do volume, além de um bom poder de travagem, mas o C4 Picasso não é para quem gosta de “sentir” a estrada. É, isso sim, um carro feito para rolar serenamente, com a boa vontade do motor a torná-lo solícito q.b. numa utilização familiar. A caixa de automática de seis velocidades acaba por tornar a condução ainda mais serena, reforçando toda a componente da suavidade e filtragem do exterior. Se quiser fazer tempos com a família atrás, o C-Max é o que mais satisfaz numa zona sinuosa. A “secura” da suspensão tem por contrapartida a superior precisão e a maior interatividade. Neste particular, convém realçar a eficácia das rodas opcionais montadas nesta unidade (215/50 R17), maiores do que as de série (215/60 R16). Ajudado pela caixa de seis velocidades manual, o 1.5 TDCi regista boas prestações, tanto a acelerar como a recuperar. Contudo, é demasiado dependente da ação do turbo, o que o torna inerte abaixo das 1800 rpm e abrupto depois disso.

O Golf Sportsvan representa o meio-termo entre o conforto do C4 e a postura ágil e comunicativa do C-Max. Além disso, se esquecermos o facto da 5ª velocidade (exacto, não há sexta) ser longa, para benefício dos consumos em estrada, o 1.6 TDI é um motor mais utilizável que o 1.5 TDCi da Ford. Todavia, a caixa de cinco velocidades acaba por ser um dos elos mais fracos, já que obriga a levar o regime de rotação constantemente numa faixa mais elevada, ouvindo-se o rumor do motor, que insiste em ficar no ouvido.

E na economia...

Com média de consumo de 5,4 l/100 km e um preço de 31 312 euros, este Golf monovolume é o mais poupado, mas já longe da fasquia dos 30 mil. É mais caro que a carrinha variant, por exemplo, e oferece menos espaço para bagagem que esta. Como campanha, a VW tira-lhe 3000 euros àquele valor se entregar um veículo como retoma. O Ford, com uma média de consumo de 5,6 l/100 km, também se revela muito económico, e além disso acaba por levar vantagem significativa no preço. Não só é o mais barato, como oferece o maior desconto na hora da compra. Pode descontar 1800 euros de desconto direto, mais 1000 euros de oferta de equipamento à escolha e, no caso de optar pelo financiamento da marca, a Ford ainda retira mais 1700 euros. Feita as contas, o preço fica abaixo dos 28 mil euros já com uma lista de equipamento muito completa. O C4 Picasso é o mais caro. O preço pode ser justificado pela lista de opcionais e até pelo facto de ser o único com caixa automática, mas mesmo com o desconto direto de 1700 euros, o valor final acaba por ficar bem acima dos concorrentes. É o melhor equipado já que se trata da versão de topo, mas existem versões intermédias já muito bem equipadas e significativamente mais baratas.

Conclusão

Na soma de todos os pontos, a vitória do Golf surge de forma algo surpreendente, ainda que o C4 Picasso esteja colado, a apenas um ponto. Como é hábito, o VW aposta na consistência ao longo da tabela de pontuação para se impor perante concorrentes que, em desterminadas áreas, têm uma superioridade notória. E mesmo que seja menos monovolume do que os outros dois, e até mais caro e menos elegante do que o Golf Variant, esta variante Sportsvan não perde os argumentos de um habitáculo mais facilmente acessível, com posição de condução mais elevada, maior visibilidade e bancos traseiros ajustáveis. Enfim, nesta categoria, é o melhor carro para viver por dentro.

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