Depois de 18 meses de espera, a Renault tem, finalmente, um SUV compacto capaz de concorrer com o líder, o Nissan Qashqai.  Ainda não é um Renault dos “tempos modernos”, ou seja, pós Espace, mas tem caraterísticas bem definidas para vingar no mercado. O Kia Sportage vem criar o contraponto entre dois irmãos de continentes diferentes e mostrar que os coreanos também têm sabido evoluir.

Desde 2007 que o Qashqai é alvo da inveja de muitos, a musa inspiradora de outros e o desespero dos que tentam conquistar-lhe vendas. E, pouco a pouco, são muitos os que têm conseguido atingir os objetivos ao ponto de colocar esta segunda geração do Nissan numa posição menos confortável. Já não é o melhor do segmento, mas ainda é um dos modelos que os portugueses mais equacionam (e com uma presença comercial muito forte no mercado de frotas) quando ponderam a escolha de um SUV. Continua a valer-se da excelente relação preço/equipamento, embora a concorrência tenha sabido apetrechar-se, oferecendo argumentos mais modernos. Os rivais não param de aparecer e, nesta fase do “campeonato”, até a Renault tem um produto para lutar de igual para igual com o seu “irmão”, já que o Kadjar é, basicamente, um Qashqai com uma roupagem Renault. Não vale a pena repetir as razões da chegada tardia do Kadjar ao mercado (foi preciso proceder a alterações técnicas para não ser taxado como Classe 2 nas portagens portuguesas), mas o modelo francês chega ao mercado 18 meses depois do lançamento europeu, mas com expetativas de vendas elevadas. Outro grande rival destes dois é o novo Kia Sportage, uma enorme evolução face à geração anterior, agora mais ao gosto do mercado europeu, com excelente relação de custo e uma das marcas mais valorizadas neste campo no nosso país, incluindo no estudo efetuado pelo Autohoje, o que também justifica a presença do coreano neste comparativo. Quanto a motorizações, juntamos as que melhor encaixam nas carteiras nacionais: 1.5 dCi de 110 cv no Qashqai e no Kadjar e o 1.7 CRDi de 115 cv no Sportage.

Porte moderno

O centro de design chefiado por Peter Schreyer criou um automóvel de linhas robustas que reforça a identidade da marca Kia, além de ter um efeito nocivo sobre os outros dois SUV aqui presentes que, ao seu lado, ficam ligeiramente envelhecidos… até o Kadjar que é novidade no mercado português. As maiores dimensões exteriores do coreano ajudam a explicar a vantagem na altura e largura do espaço atrás e até nos anunciados 503 litros de bagageira, que parecem demasiado otimistas. Bancos amplos e forrados a pele, solidez de construção e um bem conseguido desenho interior fazem do Sportage um acolhedor “lounge”, por comparação com os ambientes mais austero e envelhecido do Qashqai, e mais simplista do Kadjar. O modelo francês não tem o aspeto tecnológico dos Renault mais modernos, mas não desagrada. Os bancos da versão X MOD são excelentes, envolventes e num misto de pele e tecido, e o painel de instrumentos digital dá-lhe o toque moderno e tecnológico dos últimos lançamentos da marca do losango. Todavia, aqui não há dispositivo multisense (não dá para escolher modos de condução), a bagageira tem 527 litros de capacidade que são acedidos por um amplo portão da mala e cujo piso pode ser repartido. É o único que permite rebater os bancos traseiros a partir de duas alavancas na mala. Ainda assim, o SUV francês tem falhas pontuais, como os porta-copos exíguos e as bolsas nas portas demasiado estreitas para colocar mais do que uma carteira. Os materiais são mais macios e agradáveis ao toque na parte superior do tablier e, esta versão sendo uma XMOD, logo mais radical, tem umas aplicações numa espécie de material rugoso que lhe dá um toque mais apelativo.

Na versão Tekna 19, o Qasqhai será, por ventura, o mais equipado, mas o aspeto dos materiais já revela que os anos passam e também passaram por este Nissan. É essencialmente a qualidade de alguns materiais a falha mais grave deste modelo, tal como o sistema de infotainment que também já tem os dias contados. A bagageira é a mais pequena do trio, perdendo alguns pontos para a concorrência.

As cidades portuguesas são o verdadeiro teste à robustez de um automóvel, e um SUV acaba por estar extremamente bem-adaptado a estes ambientes mais hostis: as suspensões de curso mais alongado reduzem os efeitos dos impactos com buracos e preservam o conforto a bordo, o habitáculo sobrelevado é mais fácil de aceder e a postura sobranceira mostra-lhe o que os outros condutores ainda não viram. O que melhor encarna esta descrição é o Kadjar, principalmente nesta versão XMOD de acesso à gama, que inclui pneus mistos, altura ao solo de 200 mm, jantes de 17” e o sistema Extended Grip, que permite escolher um modo “off road” simulado.

Os outros dois são mais para o “estilo” já que as jantes de 19” e os pneus de baixo perfil inviabilizam qualquer aventura mais trialeira, ainda que o Sportage seja o único com controlo de ajuda em descidas. Continuando no modelo coreano, a interação com a sua condução é muito acessível, com o motor 1.7 CRDi a responder de forma solícita nos arranques e a direção, além de ser ligeira e rápida de topo a topo, acaba por ser tornar muito pesada quando o objetivo é fazer curvas a velocidades mais elevadas. O Renault é o único sem câmara traseira, mas não é por isso que se torna difícil de conduzir em cidade. Tem os melhores comandos, caixa, pedais e direção, mas adorna sempre mais que o Sportage ou o Qasqhai por culpa de uma suspensão mais macia. Contudo, a naturalidade com que o Kadjar rola estrada fora mostra que a Renault se empenhou na criação de um automóvel globalmente competente, tendo sempre a comodidade devidamente assegurada.

O Qashqai Tekna surpreende pela suavidade com que processa o asfalto, mesmo tendo pneus de baixo perfil e jantes de 19 polegadas. Aliás, é mesmo o calçado que o torna mais eficaz do que é costume e, embora a pronunciada inclinação em curva não entusiasme, o certo é que segue fielmente o rumo traçado pelo volante e não se destabiliza em mau piso – a contrapartida deverá surgir na hora de encomendar um novo jogo de pneus na medida 225/45 R19. Por comparação, o Sportage é mais ágil e tem uma “finesse” que nenhum dos rivais atinge, mas o motor é curto para um chassis tão bem afinadinho.

Motores medianos

Não podemos iniciar um parágrafo sobre estes motores sem lhe dizer que são os três medianos, mas suficientes. Por exemplo, o Kadjar só se vende com este 1.5 dCi de 110 cv, o mesmo do Qashqai, anda que a gama Nissan ofereça um propulsor mais performante. O motor 1.7 CRDi do Kia é suave q.b. e as relações de caixa curtas deixam-no sempre alerta, mas as prestações estão ao nível dos dois 1.5 dCi, o que é de lamentar face à cilindrada e sabendo-se que a Hyundai no “irmão” Tucson, por exemplo, comercializa uma versão com 141 cv. Ainda por cima é o mais gastador dos três, especialmente em cidade onde nem mesmo o sport/start o impede de ser o mais glutão. O Kadjar é o mais barato e oferece cinco anos de garantia, o Qashqai fica-se pelos três habituais da Nissan, enquanto o Kia propõe sete anos, uma mais valia que muitos não se lembram.

Não foi fácil encontrar um vencedor, já que o equilíbrio é uma nota constante. O Qashqai está velho, mas competitivo, o Kia é um produto excelente que perde essencialmente pela imagem de marca menos conceituada, enquanto o Kadjar goza da experiência da Renault em fazer de carros que à partida podem ter uma vida mais complicada, autênticos sucessos. E tendo em conta que modificou um carro especificamente para Portugal, quer dizer que espera destronar modelos que já há muito tempo têm a liderança assegurada. Esta é a primeira prova.

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