Quer uma carrinha com um motor Diesel potente, espaço, interior requintado e carregada com níveis de equipamento de conforto e segurança típicos de um topo de gama por cerca de 50 000€? Então, provavelmente, o seu próximo carro pode estar entre as nossas três protagonistas do comparativo desta semana: Mazda 6 SW 2.2-D 175 cv; Renault Talisman ST dCi 160 cv Twin Power EDC, ou Skoda Super Combi 2.0 TDI 150 cv DSG.

Este é o tipo de carro que, na gíria atual de mercado, se designa por compra particular, ou seja, são opções que estão fora do grande volume das frotas de carros de empresa, com exceção das versões de entrada com motores menos potentes e muito menos equipamento que ficam na casa dos 30 000€. Mas esse não é o cliente tipo destas carrinhas, sendo sim, um que está bem informado, não é suscetível a modas e, sobretudo, não está disposto a fazer compromissos, como, por exemplo, pagar o mesmo por uma marca Premium, mas com muito menos equipamento e/ou motor. 

Quero tudo

Das três, a Mazda 6 SW é a mais recente no mercado, sendo o primeiro “restyling” da aclamada geração Skyactive. Não que as outras sejam antigas, pois a Renault Talisman Sport Tourer foi apresentada o ano passado e a Skoda Superb III Combi é de 2015. Com os motores 2.2 de 175 cv para a Mazda, 1.6 dCi biturbo de 160 cv para a Renault e 2.0 TDI 150 cv para a Skoda, os preços de entrada começam na casa dos 42 000€, isto considerando a versão de caixa manual da Mazda 6 SW (a caixa automática de seis velocidades leva o valor do cheque para os 46 382€ e se quiser somar a tração às quatro rodas terá de estar pronto para pagar 51 392€) e a de caixa DSG de dupla embraiagem da Skoda Superb (com caixa manual o preço baixa cerca de 2300€), já que a Renault Talisman só existe com caixa de dupla embraiagem no nível de potência considerado. É claro que, no seguimento da filosofia sem compromissos do “full extras”, temos de acrescentar os bancos em pele elétricos aquecidos (os da Superb são também arrefecidos e os da Talisman no nível Iniciale Paris vêm com massagens) com memórias, o arranque mãos livres, os sistemas de segurança/ajuda à condução como o cruise control ativo, de aviso de transposição de faixa, avisadores de colisão frontal e de ângulo morto, leitor de sinais de trânsito, ajudas ao estacionamento (na Renault e na Skoda consideradas até temos estacionamento automático) ou faróis de LED com função de máximos automáticos, sem esquecer o infotainment mais completo disponível com navegação, controlo por voz e som Hi Fi, o que eleva os preços das nossas protagonistas em alguns milhares de euros. Em concreto, a Mazda 6 SW Excellence 2.2-D 175 cv aqui apresentada fica em 46 497€, contra os 50 290€ da Talisman e os 49 654€ da Superb, com o superior preço destes a ser compensado pela caixa automática e um equipamento ligeiramente mais completo/moderno; mas nada de fundamental ou decisivo, até porque, por exemplo, o Mazda compensa o ecrã mais pequeno com um comando rotativo de tato e precisão exemplares.

Trunfos divididos

Pelos valores considerados todos possuem acabamentos interiores em pele, mas o resultado final apela a prioridades diversas. A Mazda tem a melhor posição de condução, com o volante que dá mais gozo de agarrar e os acabamentos mais desportivos, enquanto a Renault se pauta por um ambiente mais moderno e tecnológico (o tablet no centro do tablier e os instrumentos digitais assim o permitem), mas no qual a qualidade de materiais e montagem nos níveis inferiores fica aquém das suas rivais, principalmente da feita na República Checa, que, neste universo, é a referência nessas matérias, muito embora um desenho demasiado conservador não ajude a colocar essa realidade em evidência (e um controlo por voz com uma senhora que fala com aquele sotaque das anedotas do Hitler era evitável). Em contrapartida, embora espaço seja coisa que não falte nas outras duas, a Superb também é a campeã do espaço, seja no habitáculo seja na bagageira.

Dinâmica é Mazda

Com o motor mais potente e uma caixa manual (a caixa automática é muito suave e refinada, mas, até por isso, retira alguma explosão e detalhe no doseamento da resposta ao acelerador) rápida e precisa, a Mazda 6 é a que mais prazer de condução proporciona, dando mesmo gosto de apontá-la a uma sequência de curvas mais exigente: o efeito do G-Vectoring (que modula o binário do motor de forma a tirar o máximo de partido da aderência dos pneus, reduzindo o ângulo e os movimentos do volante) faz com que a Mazda desenhe as curvas de forma muito redonda e suave, contribuindo também para o conforto dos ocupantes (reduz picos e variações da aceleração transversal); todos os comandos, com destaque para a direção, revelam uma precisão e uma ausência de atrito pouco comuns que contribuem para a qualidade da condução; o motor Skyactive de baixa compressão aparenta menos esforço e uma resposta ao acelerador mais leve do que norma num Diesel. As jantes de 19” contribuem com a aderência necessária para se usar a precisão e agilidade presentes no chassis, mas fazem-se notar num pisar menos refinado em pisos mais irregulares.

A Talisman e a Superb também contam com jantes de 19”, mas os amortecimentos adaptativos que ambas usam “resolvem” melhor os pisos degradados. Das duas, a Renault é que tem o melhor compromisso entre controlo de carroçaria e conforto, com a caixa EDC, a direção leve e as quatro rodas direcionais 4Control e fazerem dela a mais fácil de conduzir em cidade; a forma como a direção ativa no eixo traseiro arredonda as esquinas é fabulosa. Para além da agilidade em curvas lentas e de permitir combater a subviragem sem prejudicar a estabilidade (bem pelo contrário), o sistema 4Control também aumenta o conforto (reduz a aceleração no eixo traseiro), embora em ritmos rápidos necessite duma condução específica para dar o melhor de si mesmo: o movimento inicial do volante deve ser preciso e decidido, deixando, depois, à eletrónica a responsabilidade de gerir a trajetória. Combinando os méritos do 4Control com o amortecimento, a Talisman é a mais serena e controlada em curvas longas de apoio constante.

Por seu turno, mesmo sendo o mais pequeno, o motor 1.6 dCi biturbo de 160 cv é muito disponível em cargas intermédias a baixos e médios regimes, situações em que pouco fica a dever ao 2.2 da Mazda, e apenas quando queremos potência a alto regime se sente alguma falta de pulmão ao motor. Talvez por isso, a Renault é a que mais depressa faz descer o ponteiro do combustível sempre que saímos dos ritmos de cruzeiro constante.

Por fim, apesar do desempenho da caixa DSG (mais rápida e decidida nas passagens, mas ligeiramente menos suave que a EDC da Renault em ritmos calmos), a Superb é a menos viva a responder aos comandos, sejam estes o volante ou o acelerador. Mesmo em modo Sport, o amortecimento adaptativo é demasiado brando para se opor à opção por umas molas e barras estabilizadoras algo “fofas”, pelo que existem mais movimentos de carroçaria e um sentimos o peso a fazer valer a sua inércia em qualquer mudança de direção. Em contrapartida, o pisar é sólido (é a melhor neste aspeto) e confortável, muito embora não se possa dizer que seja superior à Renault. 

E a melhor é…

Cada uma tem a sua personalidade. A Mazda é a mais dinâmica e potente, sendo a minha preferida, mas tem uma bagageira mais limitada e a opção pela caixa automática é demasiado cara (devido ao aumento de emissões), enquanto a Renault aposta na tecnologia e falha na qualidade de alguns materiais. Tudo isto, deixa que a mais completa, sólida e espaçosa Skoda recolha o maior número de pontos.

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