O que faltava ao Mazda 3? Um pequeno Diesel. Não que o motor Skyactiv a gasolina seja mau, pelo contrário, mas este mercado é tirano e manda ter um mil-e-quinhentos a gasóleo para se ter sucesso. Com ele aparece a estreia da versão de 4 portas. Vocação mais familiar não há!

Desde que apareceu, em 2013, que o Mazda 3 colheu boas impressões: a nova plataforma Skyactiv, a potenciar a dinâmica de condução, e a nova geração de motores de quatro cilindros da mesma família mereceram destaque, a par de um desenho criativo. De verdade, são duas áreas em que tudo corre bem à Mazda: desenhos agressivos, mas criativos; e grupos motopropulsores sustentados. Infelizmente, em Portugal, quase ninguém liga aos motores a gasolina em familiares compactos, de modo que em 2015 se venderam 177 exemplares do Mazda 3, todos a gasolina. Em outros países, como aqui ao lado, em Espanha, havia Diesel: um 2.2 de 150 cv por mais 3500€ que o 1.5 a gasolina. Em Portugal nunca seria possível.

A luta da marca nipónica por um lugar de maior destaque em Portugal ganha um novo fôlego com a estreia do motor 1.5 turbodiesel, com a sua excelente taxa de compressão de 14,8:1 e 105 cv bem explorados. O binário máximo, 270 Nm, aparece cedo e potencia boas recuperações de velocidade, permitindo igualmente valores de consumos muito positivos, culminando com uma média final de teste inferior a 5 l/100 km. Nada mau para uma berlina que tem praticamente 4,6 metros.

Parte do mérito está na caixa de velocidades, bem escalonada, a restante está no motor, solícito o suficiente, bem auxiliado em cidade por um start/stop muito suave e eficiente, e sobretudo muito refinado no trato. A Mazda usou um recurso técnico que patenteou como “Natural Sound Smoother”, basicamente um neutralizador de vibrações que proporciona um movimento contrário ao do pistão para anular a sua ressonância. O resultado é excelente, de tal modo que o Mazda 3 CS é, globalmente, mais contido, mais fino a pisar, mais docilmente guiável que o Mazda 3 de cinco portas... o qual só terá a ganhar, também, com a chegada deste motor 1.5 Diesel. A versão Sedan porém, é a mais madura. Também a que representa mais vocação familiar graças à bagageira ampliada para 419 litros (mais 55 litros) e ao seu bocal de acesso com 86 cm de largura.

O espaço atrás é bom, o acesso também, mesmo para quem tenha que “abastecê-los” de duas cadeirinhas. O ambiente a bordo só precisa de ser mais iluminado, menos sombrio, porque não há nada de pesado com este Mazda 3. Uns bancos revestidos a pele clara podem ajudar, mas há trabalho ainda a fazer na decoração interior, embora o estilo quase minimalista (só tem os botões essenciais e um comando rotativo) acrescente pontos positivos à ergonomia.

A combinação quatro portas/Diesel resulta. A carroçaria é elegante e o motor consegue andar o suficiente, sem gastar demasiado – contando que não abuse do acelerador e não se deixe tentar pelas 4000 rpm ou mais. Aí o Mazda 3 é um regalo de conduzir, mas o computador de bordo dispara para 7 l/100 km.

Assine Já

Edição nº 1433
Já nas bancas

Digital Papel

Top

Os mais recentes