O 911 já não precisa do 4 para ter uma dinâmica impressionante, mas o significado da sigla superou há muito a função e nesta série com motor biturbo completa o epíteto de superdesportivo para todos os dias.

A exigência de alguns mercados e a escalada de potência justificou a tração integral no 911 (no 964) a abrir os anos 90. Em algumas situações foi fundamental para tornar o 911 guiável como superdesportivo ou, pelo menos, evitou que fosse humilhado por alguns pequenos desportivos. Esta realidade começou a diluir-se drasticamente depois do 996; e com a chegada maciça da eletrónica à suspensão, direção e gestão do motor, transmissão e travões, hoje o 911 tem padrões de eficácia avassaladores logo na configuração base, que já recebe bastante controlo eletrónico. É o que temos dito na evolução das últimas gerações do 911, cada vez um pouco mais eficiente, e é o que se sente neste 4S. Mas este primeiro ensaio a um 911 4S com caixa PDK traz surpresas. Primeiro, embora as prestações por nós medidas desta unidade 4S sejam praticamente fotocópia do 2S cabrio que testámos há umas semanas, sentimos uma personalidade diferente no motor, tecnicamente igual. Mais solto, mais enérgico, pujante e impressionante nas rotações mais baixas, desde o ralenti. Isto pode justificar-se com uma rodagem mais “enérgica” desta unidade, mas também poderá ser uma gestão eletrónica mais explosiva que sabe poder descarregar sem contemplação o colosso de binário nos quatro Pirelli PZero; ou pode ser também a evolução natural de um motor recém-nascido, melhorado a cada fornada. O certo é que neste 3.0 a explosão de força logo no arranque é mais notória e impressionante. E esta personalidade assenta na perfeição com o caráter deste novo 911 turbocomprimido (turbo de sobrealimentação, não de nome): um superdesportivo “instantâneo” que impressiona facilmente em todas as acelerações, sejam de semáforo ou na serra nas traseiras da cidade. Não tem a alma complexa do anterior boxer atmosférico - que era uma coisa até às 3000 rpm e outra a partir das 7000 rpm - mas é mais fácil de explorar mais vezes no limite, dele ou nosso, e no dia-a-dia. É um desportivo mais excitante, quase assustador, em qualquer avenida e com apenas 1/3 do acelerador, que com um gesto rápido do pé direito enche prontamente os turbos, colando as costas ao banco sem ser preciso levar o motor ao grito... até porque com o escape desportivo, querendo-se, o grito está sempre presente, até na saída da garagem. E com a eletrónica a gerir o diferencial traseiro (com autoblocante e vectorização de binário) e os amortecedores pilotados; juntando as opcionais barras estabilizadoras ativas (PDCC-4170€) e as rodas traseiras direcionais (2325€), tudo complementado pela tração nas quatro rodas; sobra pouca margem para a habilidade do condutor. O 911 4S, se configurado como este, parece uma extensão do alcatrão; só perde a compostura a partir de um patamar que já inclui outros efeitos da física... Por outras palavras, o 4S, além da aura própria que o nome encerra permite sentir o efeito explosivo do motor mais vezes e andar mais depressa, sempre. Muito mais depressa, se estivermos a falar de pisos menos aderentes ou, apenas, molhados. E se juntarmos a toda a parafernália tecnológica a caixa de dupla embraiagem PDK de sete relações, conseguimos compensar o efeito glutão do motor em utilização intensiva (mais de 25l/100km com facilidade), já que é possível rolar até aos 120 km/h, ou às 2000 rpm, sem pressão nos turbos (possível de controlar através da função de manómetro), o que se traduz em consumos médios abaixo dos 8 litros.

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