Usa uma vestimenta desportiva e um motor com imensa alma, mas não é um Ceed GT propriamente dito. Mas pela performance e pela disponibilidade de energia do pequeno motor mil, digamos que é um estágio para, um dia, ter a versão mais potente.

A recente renovação do Kia Ceed deu origem à criação de uma versão GT Line, que se evidencia, naturalmente, pelo visual de inspiração desportiva, com destaque para os quatro LED dispostos em quadrado no para-choques inferior, as jantes específicas e o arranjo do para-choques posterior, como se tivesse um extrator de alto rendimento. Visualmente resulta, mais não seja por marcar a diferença para os restantes. No interior a conotação desportiva não desaparece, o volante, os revestimentos e os pedais em alumínio acentuam essa tendência, mas no final das contas não se disfarça, em plenitude, a noção de que o Ceed já precisa de uma revolução um pouco mais profunda, sobretudo para deixar de combinar boa informação digital com mostradores monocromáticos, no topo do tablier e na climatização.

O que de verdade tínhamos curiosidade de experimentar era a combinação entre o Ceed e o motor 1.0 Turbo de injeção direta que serve as marcas do grupo industrial Hyundai-Kia. É um pequeno prodígio de três cilindros e confirmou-o em toda a linha durante este teste. Suave, mesmo muito suave no trabalhar, praticamente não se entrega à evidência de ter menos um cilindro do que o senso comum se habituou a reconhecer. Só se nota o cantar trémulo quando a rotação sobe e, com franqueza, nem é a tal ponto que um rádio a tocar a nona de Beethoven não disfarce. Mas é dócil no trato e vigoroso na entrega. A subida de regime é viva, cumpre um arranque até 100 km/h em 11 saudáveis segundos e completa mil metros menos de 33 segundos. Sim, isto tudo e é apenas um “mil”.

Reprises e consumos

O 1.0 T-GDI permite fazer, também, ótimas recuperações de velocidade, impressionando especialmente as de quarta velocidade e o facto de precisar de menos de dez segundos para recuperar de 80 a 120 km/h, em quinta velocidade. Estamos seguros que isto ficará ainda melhor quando combinar este motor 1.0 com a transmissão de dupla embraiagem do grupo Hyundai-Kia, que é rápida e mais eficiente a passar de caixa em ritmos rápidos.

Pelo exposto, o 1.0 T-GDI pode muito bem ser uma das referências em binómios familiar compacto/motor pequeno. Certamente merece que o equiparemos a um 1.2 TSI do grupo Volkswagen, a um 1.0 Ecoboost da Ford ou a um 1.2 TCe da Renault/Nissan. Pudesse o Ceed ser mais eficiente em comportamento e em resposta aos comandos, e certamente seria um adversário de respeito para os melhores representantes generalistas deste segmento C.

Os consumos não são extraordinários, mas também não assustam ninguém. Se quisermos estereotipar este Ceed por ser um “mil”, então gastar mais de oito litros em cidade e acabar o teste com média ponderada praticamente igual a 7,0 l/100 km, não é tudo o que se desejaria. Se andar ao ritmo do motor, entre o despachado e o depressinha, a média instala-se confortavelmente perto dos oito litros. Mas podemos condescender e pensar que estamos perante um automóvel de cinco portas, com jantes de 17 polegadas, recheado com muito equipamento e praticamente 1300 kg de peso.

Imbatível é o preço. Em campanha, claro, sujeito a rubricar um contrato de financiamento com uma instituição bancária, mas conseguir isto tudo que aqui está por menos de vinte mil euros dá muito que pensar. A nós, a si que está a ler e aos concorrentes deste Kia Ceed GT Line.

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