Este Passat acelera como um Panamera Diesel e gasta o mesmo que um Audi A3, cortesia do 2.0 TDI com dois turbos que é quase exclusivo seu. E como nas viagens de expresso, é tudo espaçoso e muito confortável para a família toda.

Se lhe derem a oportunidade de ter o mesmo automóvel, mas a andar bastante mais depressa, vai rejeitar? O que aqui vê é um Passat Diesel que parece o mais “vulgar” possível, apenas decorado com um pacote de estilo R-Line (para interior e exterior) que soma 1530€ ao preço final como fatura da personalização. No entanto, é um Passat especial: debaixo do capot está o motor Diesel biturbo e só isso já pesa mais 15 mil euros face a um 2.0 TDI de 150 cv – pelo meio ainda há o de 190 cv, por 43 mil euros. Verdade seja dita, os motores common-rail do Passat com mais de 1900 cc cúbicos são suficientemente lestos para nos fazer pensar, sim senhor, aceleram bem, gastam pouco. O motor 2.0 TDI BiT de 240 cv aporta uma noção diferente: a de colar as costas ao banco e sentir a adrenalina fazer comichão na espinha, algo que até hoje estava quase em exclusivo reservado a versões desportivas muito especiais. A um Passat W8 (275 cv) de 2004, por exemplo; ou um R36 (300 cv) de 2008. Só que este é um quatro cilindros, Diesel, com turbocompressores de diferentes diâmetros colocados em sequência, que faz o Passat chegar aos 100 km/h mais depressa que um W8 e quase ao mesmo tempo de um R36.

Civilizado e bruto

Na faceta menos civilizada, configurado em “Sport” ou individualmente para parametrizar ao estilo de uma condução vivaça, vai experimentar uma paleta de sensações que vão do convencimento à euforia, passando por um certo temor por chegar muito depressa a pontos de travagem que está habituado a enfrentar mais devagar, ou à surpresa de completar todas ultrapassagens em três ou quatro segundos. Nessa configuração mais desportiva, o que deve realmente procurar evitar é ser multado por excesso de velocidade, ou deixar o modo “Sport” ativado quando tem, meramente, que passear pela cidade, levar os miúdos ao zoológico ou transportar a família de fim de semana. É que assim o Passat fica intempestivo a sair dos blocos, chega mesmo a ser brusco com o solavanco de partida, quando entra em mau piso fica demasiado firme e, neste arranca-e-para, até a caixa DSG se sente mais baralhada entre manter a velocidade ou trocá-la.

Para tudo o que não seja andar realmente depressa, vale mais deixar a berlina no modo confortável e desfrutar da forma como o DCC disfarça a presença das jantes de 19 polegadas e filtra tudo com mais subtileza, incluindo praticamente todo o retalhar da suspensão em piso mais quebrado. É que além disso este Passat é originalmente bem insonorizado e bem isolado para vibrações. Em ritmos tranquilos ouve-se muito pouco ruído, em médios regimes há uma ténue faixa grave a ressoar de dentro do tablier e é preciso puxar pelas rotações para roçar o desconforto acústico.

Não quer dizer que não andemos depressa no modo “Confort”, sobretudo porque o acoplamento eletrohidráulico 4Motion se encarrega de resolver imprevistos como entrar demasiado depressa numa curva ou escorregar em piso húmido. O comportamento deste Passat é seguramente mais sereno que o alvoroço a que os 240 cv convidam.

O melhor de tudo, estamos em crer, está em usar o modo “Eco”. Com ele, este o Passat TDI BiT, que atinge 100 km/h em meros 6,1 segundos como se fosse um Porsche Panamera Diesel, ganha uma faceta de familiar compacto e pode cumprir 100 km a uma média ponderada de consumo de 6,6 l/100 km, o mesmo que um Audi A3 2.0 TDI de 170 cv. Até faz um modo “à vela” muito competente quando estabilizamos em velocidades de autoestrada, embora isso também traga uma maior lentidão de reação ao kick-down quando pretendemos retomar velocidade para ultrapassar.

Assine Já

Edição nº 1445
Já nas bancas

Digital Papel

Top

Os mais recentes