Para já, a versão mais potente do Levante é o V6 S, com motor de dois turbos e 430 cv. Vai ser batido pelo Diesel nas vendas, mas na emoção e nas prestações é o que melhor defende a essência da marca. Um Maserati de corpo e alma.

Maserati não rima com Diesel mas a realidade europeia já tratou de se impor e a marca do tridente há alguns anos que vende versões a gasóleo dos seus modelos, que não poderiam faltar no novo SUV Levante. Mas, dessa versão Diesel de 275 cv, já falámos no Autohoje 1381, esta semana vamos gastar gasolina, e não é pouca!

O rápido renascimento da Maserati não lhe deu tempo de encontrar uma submarca (ainda) mais desportiva para as suas versões mais potentes por isso, o Levante de 430 cv apenas leva mais um “S” na designação comercial. Mas por detrás dessa singela letra estão alterações significativas, face à versão Diesel que não começam pela estética, pois o exterior quase não tem diferenças. Começa no som do escape, nas borboletas que se abrem para deixar sair um rugido feroz, capaz de amedrontar um Cayenne. Será só garganta? É o que veremos.

O Levante usa a mesma plataforma do Ghibli e do Quattroporte, com portas e capot em alumínio e distribuição de pesos de 50% por eixo. A única opção de transmissão é uma caixa automática de oito relações e tração às quatro rodas com embraiagem multidiscos central de controlo eletrónico, que envia 90% do binário para as rodas traseiras, em reta, podendo chegar a um máximo de 50%, para as rodas da frente. A suspensão é de braços sobrepostos em alumínio, à frente e multibraço, atrás com elementos pneumáticos de série que permitem variar a altura ao solo numa amplitude de 75 mm, existindo dois modos “off-road.”

O motor 3.0 V6 biturbo a gasolina é feito pela Ferrari, debita 430 cv de potência máxima e 580 Nm de binário máximo, o que permite ao Levante atingir os 264 km/h e acelerar dos 0-100 km/h em 5,2 segundos, de acordo com a marca que avança um consumo médio de 10,9 l/100 km e de 15,0 litros, em cidade.

Ópera à italiana

A posição de condução do Levante é a mais baixa do segmento, talvez por isso agrade desde o primeiro instante. Volante com a inclinação certa, longas patilhas metálicas fixas à coluna de direção e visibilidade fácil. O painel de instrumentos é um pouco confuso, mas a utilização do monitor central está facilitada por um comando rotativo. Os modos de condução disponíveis são: Normal/Sport1/Sport2/Off Road1/Off Road2/ICE, sendo este último o modo ecológico, para poupança de combustível. A sua seleção faz-se num conjunto de botões, pouco lógico, ao lado da alavanca da caixa.

A primeira impressão, assim que se liga o motor vem do seu poderoso som, que no modo normal já tem muita presença mas que sobe aos níveis de uma tradicional ópera italiana, quando se chega ao Sport2. A subida de regime é muito rápida e linear, camuflando os 2109 kg desta versão e atingindo o regime máximo de 6500 rpm ainda com força. Não é um “canhão”, mas as prestações são boas. A caixa automática ZF escolhe os tempos certos para as mudanças, em “D” e dá respostas a tempo, quando se usam as patilhas. Em condução desportiva, as passagens de caixa sucedem-se a um ritmo elevado, com o som do motor/escape a fazer subir o entusiasmo da condução. O Levante tem um comportamento dinâmico muito bem calibrado, que passa do neutro ao ligeiramente subvirador, quando se reacelera cedo, à saída das curvas lentas. Deixando o movimento do pedal da direita para um pouco mais tarde, é a traseira que insinua uma pequena sobreviragem que quase não pede correção. Uma boa relação eficiência/divertimento. Claro que, com jantes de 20 polegadas e pneus de perfil baixo, o conforto em mau piso está longe de ser brilhante, sobretudo em modo Sport2.

Ainda sem confirmação, o Levante poderá vir a ter um motor V8 mais potente, para lutar de igual para igual com o Cayenne Turbo S. Para já, este V6 S está ao nível de um GTS.

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