É muito raro encontrar tanta competência e diversão por menos de 14 000€ (versão GLE com descontos), e muito menos um sistema de tração às quatro rodas, mas é precisamente isso que o novo Suzuki Ignis 4WD oferece, o primeiro micro SUV a chegar ao mercado. Surpreendente...

Muitas vezes, o percurso de condução selecionado nas apresentações de novos carros não permite ficar com uma ideia das suas qualidades dinâmicas. Foi o caso do novo Suzuki Ignis, sobretudo na sua versão de tração às quatro rodas, que é o carro de tração total mais barato do mercado, com um preço que, considerando todos os incentivos atuais da marca, fica abaixo dos 14 000€. No caso, o mais equipado GLX com pintura bicolor (opção com custo de 559€) fica por 15 993€, incluído um equipamento extremamente completo para um carro deste segmento: faróis LED; A/C automático; cruise control com comandos no volante e limitador de velocidade; 4 vidros elétricos; ecrã tátil com navegação e o sistema de segurança DCBS, composto por duas câmaras estéreo que integram o aviso de colisão frontal com travagem de emergência, o aviso de mudança de faixa e alerta de fadiga. Por este valor, não é fácil encontrar um negócio melhor.

Condução irreverente

Com pneus relativamente estreitos e altos (175/60 R16) vocacionados para o consumo (que é como quem diz de baixa aderência), elevada altura ao solo e uma suspensão firme, a Suzuki afinou o Ignis e o seu controlo de estabilidade para escorregar de forma progressiva e controlada, o que o torna num dos carros mais divertidos de conduzir a que se pode aspirar nesta faixa de preço, sobretudo na versão 4WD.

O sistema Allgrip 4x4 funciona com base numa embraiagem de bloqueio (integrada na caixa de velocidades) controlada eletronicamente. Numa explicação simples, isto permite ao Ignis 4WD funcionar como tração dianteira na maior parte do tempo, poupando nos consumos devido ao arrasto reduzido, e ser 4x4 quando as rodas da frente perdem aderência, situação em que o sistema trava as rodas da frente e transfere até 50% da potência para as rodas traseiras. Isto também obriga a que o eixo de torção traseiro dê lugar a um eixo rígido suspenso por molas helicoidais com três ligações; dois braços longitudinais e uma barra Panhard. Tudo isto acrescenta 50 kg ao peso do Ignis, mas também melhora a sua distribuição de pesos, já que estão junto ao eixo traseiro e numa posição muito baixa, e o valor total é de apenas 905 kg.

E o baixo peso, com a reduzida inércia associada, é uma parte fundamental das características de condução do Ignis 4WD. Sem carga lateral aplicada, ou com pouca carga, a direção é algo vaga junto ao ponto central, até porque, com 3,6 voltas de topo a topo é bastante menos direta que o padrão atual, embora parte dessa desmultiplicação esteja justificada por um raio de viragem inferior a 5 m que permite uma excelente agilidade citadina. Assim, num andamento vivo, temos de usar mais ângulo de direção do que a norma (lembre-se dos pneus estreitos e altos) para acordar o chassis, que em desaceleração ou ligeira travagem roda naturalmente para “encaixar” o Ignis na curva, sendo que, daí em diante, e mesmo em asfalto seco, podemos sentir a potência aplicada no eixo traseiro neutralizando a atitude do chassis. Daqui em diante, e especialmente em pisos de terra onde este Ignis é ainda mais divertido, basta modular o acelerador para ajustar o ângulo de direção do pequeno SUV Suzuki face à trajetória.

Por fim, apesar de limitado por uma transmissão demasiado longa (e o 4WD até tem uma relação final 5% mais curta), o 1.2 de 90 cv tem uma entrega de potência refinada e progressiva abaixo das 4000 rpm e uma alma desportiva acima desse regime, proporcionando uma capacidade de aceleração bem viva nas três primeiras relações. Não existem muitos carros de 14 000€ capazes de fazer melhor que 10,8 segundos na aceleração dos 0 a 100 km/h. E esta vivacidade é acompanhada por consumos dignos de nota, que oscilam entre os 5 l/100 km em condução poupada e os 8 l/100 km a fundo.

Enfim, um pequeno grande carro.

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