Com o novo 116D ED a BMW coloca-se mesmo no meio da guerra do segmento mais concorrido da europa, até porque os 27 900 euros são um preço que não fica muito longe do que a VW pede por um Golf 1.6 TDI.

O BMW 116D Efficient Dynamics é um dos BMW mais acessíveis de sempre, com um preço que começa nos 27 900 euros, ou seja, bem no coração do segmento charneira do mercado europeu: o dos compactos com motores Diesel de 110 a 130 cv. É verdade que este preço está entre 1000 a 2000 euros acima do pedido por um Golf, Astra ou Focus equivalente e também é verdade que, em última análise, as propostas generalistas possuem uma relação preço/equipamento mais favorável, mas nenhum deles é um BMW. Aqui o facto que interessa reter é que, com o 116D ED, conduzir um BMW passou a estar ao alcance do comprador médio dos modelos mais vendidos do mercado europeu, o que não deixa de ser uma proposta (muito) aliciante.

A unidade testada, com as Line Urban e Line Sport, já incluindo bastantes opcionais montados, tem um preço ligeiramente superior a 34 000 euros, mas é possível uma especificação com tudo o que é imprescindível (sensores de estacionamento, sensores de luz e chuva, USB...) por menos de 32 000 euros, um valor equivalente ao de um Golf, Astra ou Focus bem equipados.

Motor do Mini
Mas a BMW não tinha já um 116D?...Tinha e continua a ter. Mas esse é motorizado por uma versão “castrada” do mesmo bloco de dois litros montado nos 120D e 118D, sendo pouco mais barato que o último (31 445 euros contra 33 795 euros), significativamente mais lento e sem qualquer vantagem ao nível dos consumos, pelo que não era (e agora ainda menos) uma das derivações mais atrativas do familiar compacto da BMW.

Este novo 116D ED resulta da colocação do bloco 1.6 Diesel do Mini debaixo do capot do Série 1. Sabendo-se que este bloco é derivado do motor de dois litros, era apenas uma questão de tempo até a BMW decidir colocá-lo no Série 1. A redução de cilindrada e de emissões de CO2, qua passam para 99 g/km, permite cortar mais de 2000 euros à fatia paga para o ISV, sendo isto crucial para a obtenção de um preço final inferior a 28 000 euros.

1602 ou 318 tds?
Não é primeira vez que a BMW recorre a um motor de baixa cilindrada para poder ter um preço competitivo, mas nem sempre o resultado final esteve à altura da tradicional frase assinatura da marca: “pelo prazer de conduzir.” Em concreto, os famosos 1602 dos anos sessenta e setenta do século passado estavam perfeitamente à altura da promessa BMW(eu sei porque tive um), ao passo que o 1502 de compressão reduzida e carburador estrangulado, preparado para consumir gasolina Normal (com um índice de octano inferior à Super da altura), era demasiado lento, tal como os Diesel 318 tds dos anos noventa, que também tinham motor de 1,6 litros.

O “novo” 1.6 Diesel debita 116 cv de potência às 4000 rpm e 260 Nm de binário máximo, constantemente disponível entre as 1750 e as 2500 rpm, estando combinado com uma caixa manual de seis velocidades, de relações longas, para minimizar os consumos.

Para além da habitual parafernália Efficient Dynamics, o 116D ED conta com suspensão rebaixada e pneus de baixa resistência ao rolamento, Michelin Energy Saver, montados em jantes de 16 polegadas.

Curiosamente, os Michelin Energy Saver são um dos componentes que fazem do 116D ED um dos melhores Série 1, no que à suavidade de rolamento diz respeito, com um pisar ainda mais suave e refinado do que os das versões mais caras, com a suspensão de amortecimento adaptativo. Tudo isto porque os Michelin ecológicos, embora trabalhem com uma pressão superior ao normal, possuem umas paredes laterais muito mais moldáveis que a dos “Run Flat” usados pelos outros Série 1.

O motor acompanha bem esta atitude, sendo muito refinado e controlado na forma como debita a sua potência, sobretudo em modo Eco Pro. Aliás, este 116D ED é um dos carros em que mais se notam as diferenças de gestão associadas ao funcionamento em Eco Pro, com o motor a ficar nitidamente mais redondo e macio a baixos regimes e na transição para a faixa de binário mais favorável.

A utilização em condução urbana é nitidamente superior à dos rivais generalistas, com o 116D ED a ser capaz de partir de regimes inferiores às 1000 rpm sem soluços ou reações bruscas, preservando uma resposta de acelerador que permite evoluir no trânsito sem que se sinta necessidade de superar as 1500/1800 rpm. Durante o ensaio, ficou provado que se podem vencer declives bastante inclinados (9%) em sexta, com o velocímetro entre os 110 a 120 km/h, dentro dos limites do modo Eco Pro.

O resultado desta disponibilidade aparece sob a forma de consumos excelentes, como mostra o registo de 5,3 l/100 km obtido em cidade. Se tivesse o Stop/Start da PSA, que permite rolar até cerca dos 30 km/h com o motor desligado, até podiam ser inferiores aos 5,0 l/100 km. Melhor ainda, numa utilização mista (cidade, estrada e AE) entre os 110 e os 130 km/h, sempre em modo Eco Pro, conseguimos 4,6 l/100 km.

Ok, é um dos carros mais económicos do mercado e possui uma condução muito refinada, mas é capaz de proporcionar o tal prazer de condução? É sim. Para começar, mesmo os condutores menos atentos são capazes de notar que a direção é mais límpida e cristalina que nos carros de tração dianteira, pois está ausente de reações de binário, ao passo que os comandos com uma modulação precisa e linear também não passam despercebidos.

Por seu turno, os condutores mais avançados notam que a distribuição de pesos equilibrada pelos dois eixos (até porque este 1.6 é mais pequeno e leve que o 2.0), o baixo peso (o 116D pesa apenas 1310 kg) e a tração traseira abrem um leque de possibilidades impossível de replicar por um “tudo à frente”. Isto torna o BMW mais sensível ao jogo das transferências de massa provocadas pelo acelerador e travão, colocando ao serviço do condutor (que queira aproveitar...) uma superior autoridade na gestão da atitude em curva. Em concreto, dependendo da forma como se apresenta o 116D ED à curva, podemos ter subviragem, sobreviragem ou uma atitude exemplarmente neutra, ficando sempre em aberto a hipótese de se utilizar o acelerador para ajudar no realinhamento final.

Neste particular, interessa ressalvar que o limite de aderência relativamente baixo dos Michelin Energy Saver faz com que, mesmo com apenas 116 cv, exista sempre um ligeiro excesso de potência para a tração disponível, o que, num chassis tão bem equilibrado como o do Série 1, aumenta o nível de diversão disponível.

Por fim, sem ser um “canhão”, os 116 cv do 1.6 Diesel colocam o 116D ED no vértice da pirâmide do segmento em matéria de prestações, sendo suficientes para garantir que o pequeno BMW cumpre a promessa básica da marca, gerando verdadeiro prazer de condução, pelo menos tanto quanto se pode esperar de um compacto Diesel de 30 000 euros!

 


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